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11.3.15

desviados. de quem é a falha?

O primeiro passo neste texto é definir o que é um desviado. Popularmente dentro de uma teologia que crê que o homem pode “perder” a Salvação, crê-se que desviado é aquele que converte-se a Cristo, tem seus pecados anulados na Cruz, torna-se salvo, nasce de novo, recebe o Espírito Santo de Deus, Cristo começa até a construir uma casa para ele no paraíso e por fim ele abandona a Fé (dando inclusive um baita gasto pro Reino de Deus que terá que dispensar os anjos-pedreiros*).

Dentro da Teologia Reformada, obviamente não existe espaço para essa figura do cristão desviado. Não cremos que aquele que conheceu a Cristo e foi liberto da escravidão do pecado e ressuscitado da morte por Ele perca-se, pois em Cristo reside toda nossa Esperança e Segurança: “Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, também chamou; aos que chamou, também justificou; aos que justificou, também glorificou.” (Romanos 8.29-30 NVI). Mas existe sim a figura daquele que a Palavra descreve em Hebreus 6.4. Que não consideramos “desviado”, mas como o apóstolo João explicou em sua primeira carta (1 João 2.19): “saíram porque não eram dos nossos”. Isso deixa claro que para “reformados”, “uma vez salvo, salvo para sempre”, isso no entanto não significa que todos que vão a igreja são salvos apenas porque disseram sim em uma apelo ao final do sermão. Nossa definição de “Salvo”, é completamente diferente.

Definido o que é um desviado voltamos a pergunta do título: De quem é a falha?

Alguém tem culpa nesse cartório e só podemos culpar o homem, já que Deus é Justo, Santo e Perfeito. Também não podemos culpar satanás, pois ele age conforme a permissão de Deus e Deus nunca colocaria sobre o homem uma tentação que ele não pudesse suportar, como aprendemos em 1 Coríntios 10.13. Logo, apenas o homem pode ser culpado... quem leva a culpa então? Sim, leva a culpa o que se perde. Mas segue-se aqui um ensino bastante interessante que temos no Antigo Testamento. Em Ezequiel 33.1-9, Deus apresenta a Ezequiel a responsabilidade do atalaia sobre os homens. SE é responsabilidade do homem se defender das flechas do inimigo e preparar-se devidamente para a batalha, é tarefa do atalaia avisar da aproximação do inimigo.

Quantos pastores simplesmente deixaram de ser atalaias porque avisar do mar de trevas que se aproxima é péssimo para alguém que quer apenas carregar boas notícias? Atalaias estão permitindo que soldados morram porque estão mais preocupados com suas posições eclesiásticas e sociais que com sua posição de submissão a Deus.

No entanto, o grande problema dos pregadores e líderes cristãos contemporâneos é o conceito de Salvação que têm. Pessoas salvas são aquelas que respondem ao apelo e começam a vir aos domingos, entregam seus dízimos e suas ofertas e eventualmente participam de algum ministério ou programação promovida pela igreja. Péssimo conceito a ser adotado. Pois no afã de aumentar seus números, sua arrecadação e junto com isso seu prestígio junto à comunidade evangélica, pastores barateiam o Evangelho. E como isso é feito? Separo em três pontos:

1º. Simplificação do Evangelho: simplificação aqui não é tornar a Palavra de fácil entendimento, isto seria e é pedagogicamente correto. Ensinar a Bíblia para um letrado e diferente de ensiná-la para um analfabeto, ou do ensinar a Palavra para uma criança ou adulto. Não é dessa simplificação. A simplificação que falo é a simplista. A Palavra perde todo seu teor poderoso para transformar o homem e é transformada em um ralé manual de “uma vida melhor” ou “uma vida vitoriosa”.

2º. Abandono do Ensino das Escrituras: se já tornou a Palavra apenas um adendo a todo tipo de programação antropocêntrica a que a igreja está mergulhada. Com tanto tempo dedicado a teatro, música, chá das senhoras, futebol, reunião dançante, almoço de casais, jantar de solteiros etc. O tempo dedicado ao Ensino das Escrituras é substituído por eventos que acredita o pastor, são mais fortes para segurar e atrair novos membros.

3º. Adoção de métodos de crescimento de igreja: Veja, uma coisa é você adotar um método de ensino da Palavra, como a EBD, ou de evangelismo, método de abordagem ou coisas do tipo, que podem ser uteis, principalmente para novos na Fé. Métodos para crescimento de igreja não são isso. Modelos como G12, M12 ou MDA, por exemplo, são métodos baseados em modelos administrativos que visam o crescimento da igreja unicamente pelo crescimento. A igreja (instituição) cresce, mas a igreja (noiva de Cristo), nem mesmo nasce nesses lugares. Crentes raquíticos e uma igreja fraca, resultado, grande rotatividade da membresia e elevado número de desviados ou “crentes carnais” (mais um dos absurdos conceituais da igreja contemporânea). Adotar um método de crescimento é um atestado de que este líder ou pastor não confia no poder sobrenatural da mesma Palavra que criou o Universo tem agora o poder para Salvar. Como está escrito em Jeremias 17.5: “"Maldito é o homem que confia nos homens...”, e isso inclui seus métodos para inchar igrejas.

Tenho uma teoria, é apenas uma teoria mas tenho bons argumentos para ela. Se uma igreja recebe muitas pessoas mas elas não conseguem ficar muito tempo sentadas nos seus bancos, é porque talvez não tenha sido gerada nenhuma Fé para Salvação em suas vidas. Elas podem estar bem alimentadas quanto a relacionamentos e ter uma vasta carta de programação para preencher o vazio de suas vidas pouco sociais por toda uma semana, quem sabe um mês.

Mas se os pastores dessas igrejas parassem para ouvir suas próprias pregações, talvez encontrassem o erro que tem transformado suas congregações em parada de ônibus e não em aprisco para ovelhas. "A Fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus (Romanos 10.17)... então talvez o que eles estejam ouvindo não seja a Palavra de Deus... e este é só um dos argumentos."


*anjos-pedreiros não existem, então se alguma denominação neopentecostal começar a utilizar este anjo para alguma coisa vou cobrar direitos autorais.

Publicado originalmente no blog Electus, em 10/03/2015

1.2.11

uma crônica sobre minha vontade

Recentemente mudei de cidade, e como qualquer (alguns) cristão faria, estou visitando algumas congregações cristãs. Talvez, apenas talvez, fosse mais fácil se existisse uma congregação da mesma denominação que eu já freqüentava na minha antiga cidade... talvez, mas apenas talvez fosse mais fácil.

A questão obviamente não é a tal da facilidade. Fosse este o motivo já estava definido. Há menos de 50 metros da minha nova casa há uma congregação cristã. Com um pastor, homens e mulheres tementes a Deus.

Nessas igrejas que tenho visitado, vi de quase tudo um pouco. Só não vi uma coisa: calvinistas.

Há não! Lá vem falar de calvinismo de novo?!?!?! não cansou não???


Não, não... Calma... não vou falar disso não... vou falar de Evangelho mesmo... sem Calvino, sem Spurgeon... segundo alguns, nem sei quem foi Calvino... mas vou citar Deus em algum momento do texto. Usarei a terceira pessoa do singular para indicá-lo. Espero que não te percas enquanto lês.

Em todas as igrejas que visitei, assim como a que freqüentava na minha antiga cidade. A pregação, ou, veredas secundárias que levam a pregação "tema: Salvação", indicam invariavelmente a vontade do homem como ponto de chegada.

Não sei se isso é ser arminiano... Sinceramente, a maioria dos cristãos pós-modernos do século XXI nem sabe o que calvinismo ou arminianismo... entendo isso como uma visão entre essas duas coisas... um pouco perdida entre essas duas visões para ser sincero.

Mais ou menos assim... corrijam-me se eu estiver errado:

"Jesus te ama. Ele morreu por ti. Ele tem um GRANDE projeto para tua vida. Ele tem "sonhos" maiores que os teus para você. Ele quer mudar a sua vida.  Ele quer mudar a tua atual situação. Ele quer te curar. Quer resgatar tudo o que você perdeu. Te dar em dobro tudo o que satanás um dia tomou de ti. BASTA, você aceitá-lo."

Se faltou alguma coisa, por favor, postem nos comentários. Apesar da minha certa "alta-medida" de intolerância fundamentalista, aos poucos estou sendo moldado e tornando-me mais receptivo... receptivo, não tolerante.

Voltando...

Como me criei ouvindo isso, e até, crendo ser esta uma verdade (ainda que ela não seja de todo mentira). Sempre entendi "isso" como apelo de Salvação.

Mas aí, sei lá... em algum momento, talvez lendo a Bíblia, certamente, não que eu lembre, não foi em nenhuma visão ou revelação de sonho... tenho certeza que foi lendo a Bíblia... entendi de outra forma... uma que eliminava o "BASTA" da história. Percebi, talvez por que fosse tarde da noite ou muito cedo... não lembro... que não "bastava" apenas aceitá-lo.

Eu precisava SER aceito.

Devo ter entrado em depressão.. ou algo parecido. Afinal, o que eu poderia fazer para ser aceito. Sério, pensa comigo... o que você pode fazer para ser aceito por Deus? Cristo fazia a vontade de Deus de dia e de noite... eu não consigo nem compreender qual a vontade Dele para esta noite... como Ele poderia ter algum prazer em mim? sério, pensa friamente... só uma vez... não dói. Eu garanto.

Talvez fosse melhor ficar com a fórmula com o "BASTA" aceitá-lo. Mas não dava mais para voltar atrás. Acho que é o que acontece quando você escolhe tomar a pílula vermelha. Você enfim é desligado daquelas máquinas que te deixam vivo numa realidade em que você está no controle. (Tá, quem não viu Matrix não vai entender essa metáfora. Manda um e-mail que eu explico ou assisti o filme)

E... algum tempo atrás, muito tempo atrás para ser sincero, pensei... foi quase um devaneio... teria eu perdido minha vontade própria?

Olhando para mim... para minha condição de "salvo", "santo", "redimido", "lavado" e tudo mais... vi todo tipo de pecado, todo tipo de ferida em pús e  de ilusões produzidas pela carne na minha mente. Percebi, imediatamente após essa visão dantesca da minha justiça em frangalhos, que eu ainda tinha vontade própria. Essa era minha vontade própria. Vontade de pecar, mexer nas feridas (quem sabe até as provar) e viver das ilusões e fantasias do meu coração. A mais desesperadamente corrupta parte do meu ser.

No entanto, percebi também, agora não olhando mais para mim, mas para ELE (a 3ª pessoa do singular), ainda existir esperança para o vermezinho... o bichinho de Jacó.

Independente da minha vontade contrária a tudo que pode ser chamado de santo. Meus pecados são perdoados, minhas feridas são saradas e minha mente é transformada. Num trabalho que só alguém que começou uma boa e perfeita obra pode concluir. Não é trabalho de homem... mas de alguém que fez o Universo com o poder de Sua Palavra.

Uma pena realmente... eu ainda não ter perdido totalmente a minha "vontade própria". Sinceramente... lamentável.

Deus vos abençõe.

16.1.11

anotações XIV

Esta semana li um texto do Pr. Renato Vargens, "Pode o crente em Jesus perder a Salvação?". Como todo apologista do Evangelho da Graça, obviamente a resposta do Pr. Vargens é não. Assim como a minha.

Me impressionou no entanto foram os contrários à predestinação, ou Doutrina da Graça, como prefiro chamar.

Não vi arminianos fazendo defesa da sua teologia. Sinceramente, em mais de 70 comentários no blog Púlpito Cristão não vi um único arminiano. Talvez um ou outro, meio perdido, e portanto, difícil de achar.

Se tivesse visto um arminiano, teria lido alguma defesa, ainda que a considerando errada, bem articulada.

Mas o que vi foram pessoas que não sabem no que crer ou no que crêem.

Pessoas que se julgam tão santas que não suportariam ver o assassino morto na cruz ao lado de Cristo na cidade celestial.

Vi pessoas defendendo seu ponto de vista. Reduzindo a Justiça de Deus a sua justiça. Isto é, "sujando" vestes santas as transformando em trapos de imundícia.

Vi pessoas não regeneradas entendendo a predestinação como uma carta de liberação ao pecado. Li com meus olhos, gente burra teologicamente e ignorante demais para compreender que o pé não é a mão.

Mas eu creio na eleição e na graça irresistível... que aliás, li de alguém, que a Graça não é irrestível... que ela não tem tanto poder assim. Pois por crer nessa Graça é que creio que até alguns desses possam ser salvos, independente do seu conhecimento, ou falta dele.

É triste ver gente que se julga cristão odiar tanto ser escravo de Cristo. Querem gozar da sua liberdade, dos seus direitos, da sua vida... mas hipocritamente recitam e cantam... "vem Senhor sobre nós e cumpra-se a Tua vontade!"

Mentirosos!

9.1.11

sou spurgeonista... calvinista... e o problema é meu

Recentemente o Pr. Renato Vargens publicou um texto intitulado: "Pode o crente em Jesus perder a Salvação?"

Minha resposta é não. Obviamente não. Aqueles por quem Cristo derramou seu sangue foram comprados, justificados e o poder da cruz não pode ser suplantando por nenhuma outra força deste ou de qualquer outro mundo.

Então, conforme minha resposta, posso ser embalado, rotulado e colocado na estante "calvinistas".

Ótimo. Nenhum problema com isso. Sentiria-me realmente ofendido se assim não fosse "rotulado". Serve também colocar na tarja: protestante/fundamentalista/fora-da-nova-visão-do-mundo-gospel.

Mas a questão vai muito mais além que apenas calvinismo ou arminianismo. Vai muito mais longe que predestinação e autodeterminação.

Charles H. Spurgeon, um calvinista, trouxe à luz algo muito mais importante: Regeneração.

Vou então refazer a pergunta do Pr. Renato Vargens.

"Pode um crente regenerado em Jesus perder a Salvação?"

Não. Para mim é muito claro que não. Alguém de mente regenerada peca, mas não volta atrás.

Os que pegam no arado e olham para trás, não são aptos.

Mas e quanto as advertências de Paulo quanto ao cuidado em não cair?

Entendo que Paulo se referia ao pecado. É apenas um pensamento e entendimento meu.

Tá.. e aí?

Nos comentários que li no texto do Pr. Renato Vargens publicado no blog Púlpito Cristão, vi que a indignação dos que rejeitam a Teologia da Graça, não se apoia em textos bíblicos, mas em posição política, ideólogica e social. Não se apoia na justiça de Deus, mas na suas próprias convicções de justiça.

Um leitor comentarista escreveu:

"O pior é que é um raciocínio circular, uma teoria impossível de refutar: "se perdeu a salvação, então nunca a teve realmente."

Veja, ele não citou uma "teoria impossível de refutar", mas (consciente ou não) uma explicação do apóstolo João que escreveu: "Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós." (1 Jo 2.19).

O entendimento deste rapaz é que a Palavra não é suficiente e definitiva, ela é parcial e amolda-se a mentalidade carnal do homem, e não o contrário. Assim, o que João escreveu foi algo "perverso", visando apenas nos deixar sem respostas e de cabeça baixa aceitar sua proposta maluca de salvação.

Um outro escreveu: "Pr Renato, relacionar as alianças de Deus com Abraão, Israel com a salvação em Cristo é um erro grosseiro."

Se esta pessoa ainda não conseguiu ver isso na Palavra, age tal qual os fariseus e saduceus que não viram em Cristo o Messias. Leram as escrituras e não as entenderam.

Alguém também citou o Pr. Ciro Zibordi. Excelente comentário. Isso mostra apenas que não é por não crer em predestinação que alguém se perde. Pois creio, de todo coração, pelo pouco que conheço o Pr. Ciro, ser ele um homem temente a Deus e servo do Altíssimo.

Mas maior crítica que vejo dos não calvinistas é seu temor de que pessoas que agem fora de seus padrões ou que eles considerem perdidas, possam ser salvas. Reproduzem a sua justiça em Deus. "Ora, não seria justo Deus salvar este e não este"... "quem Deus pensa que é para me salvar sem me consultar?"... "e se eu não quiser?"... "eu tenho direitos!"

Predestinação não é pré-requisito para salvação. Regeneração sim. Regenerados em Cristo não perdem a salvação, pois Ele mesmo é quem produz isso em nós.

Porque se achar mais santo. O assassino ao lado de Cristo na cruz era mais santo que algum de vós?

Sou spurgeonista por livre escolha. Calvinista por eleição. Salvo e regenerado mediante a Graça de Deus, algo que eu jamais alcançaria por mim mesmo. Mas, como escravo da Justiça e livre para o pecado, tenho a mente trasnformada. Certo, de que nem a morte nem mesmo essa vida pode me separar do amor de Cristo.

Ah... e quanto aos arminianos que gostam de cantar esse texto de Paulo em canções... parem com a hipocrisia, vocês crêem que a morte, a vida, os principados, as forças do presente e do porvir, os poderes, as alturas e profundidades podem afastá-los do amor de Deus.

Ou não?

11.9.10

anotações VIII

Essa semana, depois do "sucesso" do vídeo onde o Edir Macedo faz apologia ao aborto e demonstra todo seu afeto e veneração ao deus moloque, fiquei pensando... "entre os pedidos de uma nova reforma e a crescente e ininterrupta corrupção da igreja institucional cristã brasileira (e mundial), podemos mudar alguma coisa?"

Estou postando esta anotação enquanto escrevo um outro texto... a ser publicado primeiramente no blog Púlpito Cristão. (Ainda não sei quando... não quero me precipitar e escrever algo mais meu que de Deus).

A igreja institucional tem conserto?

Sinceramente. Creio que não... essa igreja nasceu doente no século IV e a Reforma Protestante no século XVI foi como ressuscitar um morto... um milagre que não creio que acontecerá novamente (me chamem de pessimista... não me importo... sou fiel a uma teologia onde Cristo triunfou e não o Homem).

Creio hoje tão somente no arrebatamento... creio tão somente na Igreja de Cristo, santa, perfeita, virgem, pura... uma igreja eleita... a quem Deus depois de eleger, chamou... justificou e glorificou. E como este mesmo texto começa no livro de Romanos... creio ser propósito de Deus.

Uma igreja que não tem nenhuma relação com a igreja institucionalizada. Ainda que viva entre os mortos que preenchem seus bancos.

É só uma anotação... não é uma idéia completa ou uma verdade absoluta.

3.9.10

doutrina da graça: de leigo para leigos


"Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus." 1 Co 6.19-20

Fomos comprados ou nos colocamos à venda?

Em toda História sempre existiram basicamente três classes de escravos, ou condição de escravo, como preferir. Os escravos de conquista, os de dívida e os de nascimento. Como escravos do pecado o homem pode ser encaixado na última condição. Escravo por Nascimento (Sl 51.5). Isto porque ele não pôde lutar pela sua liberdade nem tem poder para comprar sua liberdade ou saldar a dívida.

Quando o pecado entrou por Adão, toda sua descendência recebeu sobre si o mesmo pecado imputado a ele (Todos pecaram... Rm 3.23). A dívida de Adão jamais poderia ser paga por ele e por isso toda sua descendência recebe sobre si a pena. Como nascido escravo, o homem não conhece outra realidade senão a de servir ao seu senhor.

A decisão de sair desta prisão chamada pecado não está no próprio homem. Ele não tem a chave da morte (Ap 1.18). Ele é incapaz de abrir a porta e sair. Não pode escolher seu senhor. Sem a intervenção do Santo, ele nasce e morre em pecado.

Existe um no entanto que pode comprar qualquer um dos escravos do pecado e torná-lo em seu escravo. Este é Deus por meio do sangue de Cristo. Entendo que para nossa sociedade o termo escravo é um tanto ofensivo, assim como a própria Doutrina da Graça é para homem (inclusive cristão). No entanto, todo cristão enche os pulmões para citar o apóstolo Pedro ... somos povo de propriedade exclusiva... (1 Pe 2.9). Ora, só existe um tipo de ser humano sob condição de propriedade. O escravo.

Sem vontade própria, o homem depende da vontade daquele que tem o poder de comprá-lo. O mesmo que tem poder para causar uma transformação espiritual que fará com que o homem não tenha mais prazer nas obras da carne mas sim, nas boas obras de antemão preparadas por Deus (Ef 2.10) para aqueles que Ele também de antemão deu entendimento de conhecer Sua vontade (At 22.14).

Sei apenas quanto a mim. Não me coloquei a venda ou a disposição do meu ex-senhor para ser vendido. Fui comprado. Não partiu de mim a vontade de trocar de senhor. Aquele que me comprou transformou minha mente e coração. Mudou minha natureza e deu-me o poder de ser chamado seu filho.

Porque então lutaria contra Sua soberania se é justamente por ela que fui liberto?

Como escreveu o apóstolo Paulo no versículo inicialmente citado. Fui comprado por um bom preço e meu corpo não pertence mais a mim, não sou de mim mesmo... mas sim daquele que pagou por mim, daquele que me comprou.

Ou sou Dele. Ou não sou.

28.8.10

sem desculpas... eu sou assim mesmo

Em meados do século passado, meio que se deu por encerrado um assunto nas faculdades de História. Parcialidade versus imparcialidade. É impossível haver imparcialidade no discurso histórico, ou no fazer e escrever História. Ao ler um texto eu identifico se o autor é de esquerda ou de direita, seus precoceitos, suas preferências etc. Eu leio o próprio historiador.

Nós somos ao extremo parciais. Não por sermos cristãos, mas por sermos humanos. O que eu penso, escrevo e falo é nada mais que o discurso do que eu realmente "penso, escrevo e falo" (redundante eu sei). Não é externo, é interno. Assim, se acredito em doutrina da eleição, depravação do homem e ser a Bíblia a Palavra de Deus, por exemplo, sou e sempre serei parcial quanto a qualquer assunto que envolva estas temáticas. Quem afirma poder ser imparcial já está sendo parcial... da "auto-enganação".

Independente do que o outro "possa" me provar, estou convencido que essa é a Verdade. O que já me diferencia de muita gente, que por exemplo, não acredita existir Verdade Absoluta, mas verdades... multiplas verdades. Crendo ser essa a Verdade Absoluta tornei-me inamovível. Ferrenho defensor do que creio ser o Verdadeiro e único Evangelho de Cristo.

Ora, de igual forma, creio que os que pensam diferente. Os que defendem a necessidade do homem participar da sua salvação, da capacidade do homem fazer a escolha entre o certo e o errado (falo de coisas espirituais, não de se deve ou não trocar de carro) ou dos que questionam a justiça e o amor de Deus, também podem ser tão inamovíveis quanto eu.

Não significa que terão meu respeito pelo que crêem. Não é por acreditarem de outra forma, mas justamente pelas coisas que eu creio. Veja, se te tolero não é pelo que você crê. Mas pelo que eu creio. Não respeito o Espiritismo mas respeito o espírita, não porque ele é espírita e faz boas obras... mas porque ele pode se tornar um cristão. Ele pode se converter de seu mau caminho para o único e verdadeiro Caminho Jesus.

Crer em doutrina da eleição não é prerrogativa de salvação. Regeneração sim. Falta de entendimento também não é garantia de perdição... pode ser apenas falta de nutrientes...

Enfim. Se te ofendes com que escrevo. Se te sente ferido e desprezado com que escrevo. É porque você pensa diferente de mim. E ao contrário de como você possa sentir, eu não saio nem ferido nem com o sentimento de que o que escrevo não atingiu o objetivo. Meu único objetivo e pregar a Palavra de Deus. E ela não terá nenhum efeito sem a sobrenatural manifestação do Espírito Santo. Portanto, é natural... muito natural... muita gente não aceitar.

Quando escrevo estou olhando para o que Cristo fez, para o que Paulo e Pedro escreveram... estou olhando para homens como Spurgeon, Arthur Pink, Paul Washer, John Piper, John MacArthur e outros que crêem nas mesmas coisas que eu (e crêem bem antes que eu)... não olho para Silas Malafaia, Benny Hinn, David Yonggi Cho ou Gondim (não estou colocando todos no mesmo saco, estou apenas citando).

Portanto, quando você lê alguma coisa neste blog, você lê alguém que crê em predestinação, alguém que crê na ABSOLUTA SOBERANIA de Deus, alguém que enxerga no livro Bíblia a Palavra de Deus exata e sem deformação. Não espere algo diferente. Não são os comentários contrários que me farão crer que o homem tem livre-arbítrio, por exemplo.

Não estou dizendo que não mudei ou não mudo em relação a liturgia, comportamento e outros acessórios... mas quanto ao fundamental. Já estou mais do que convencido. Já fui comprado e sei que foi um alto preço. Sim... eu fui comprado... não fui eu quem deliberadamente decidiu ser vendido... quer algo mais predestinado que isso?

Se depois de ler este texto você só enxerga um limitado sem criatividade, preso a uma realidade ultrapassada, um precoceituoso sem salvação. Alguém que não vê a "nova visão" da igreja contemporânea... um retrogrado bitolado que aceita ser manipulado pelo divino... então eu mais uma vez estou certo. Sem a interferência sobrenatural do Espírito Santo... nada... nada mesmo... que eu escreva te moverá.

25.8.10

cortando o próprio galho


Não temos outro ponto de sustentação para nossa fé senão a Palavra de Deus. Escrita por profetas e apóstolos inspirados pelo Espírito Santo ela é o alicerce palpável e visível do que cremos. Uma única verdade manifesta na doutrina neotestamentária.

Quando o Senhor me levou a conhecer a doutrina da graça também ensinou-me a provar a palavra pregada:

Agrada ao homem caído? Então desagrada a Deus.

Isso não serve para qualquer um. Não é aceitável aos arminianos, aos pregadores da teologia relacional ou liberais. É compreensível apenas aqueles que foram convencidos pela doutrina da graça, o verdadeiro evangelho de nosso Senhor.

Veja. Não estou em hipótese alguma afirmando que a palavra quando pregada deve ser amarga ou preparada com tamanho desgosto que torne impossível ao homem natural ouvi-la. Também não afirmo que ela deve ser melada com doce mundano para que possa ser devorada por pessoas carnais. Estou dizendo que a Palavra verdadeira, uma lúcida exposição da doutrina, não importando a maneira que ela chegue ao ouvido da mente caída, sem interferência do Espírito Santo será sempre rejeitada pois essa é a natureza do homem.

A verdade implicita na pregação pós-moderna é de que para que o homem carnal aceite a palavra de Deus necessário é que ela seja parcial. Necessário é que seja comprometida, não com Deus, mas com o homem. O papel de Deus é de mero coadjuvante numa trama escrita por homens. Para escrever esta história algumas técnicas básicas para produção são empregadas.

1. PALAVRA DE DEUS COMO APOIO E NÃO FUNDAMENTO: a Palavra de Deus (Bíblia), o livro sagrado, torna-se uma coletânea de exemplos morais e experiências pessoais que servem como pano de fundo para novos enredos. Nesses novos enredos são produzidas histórias com algum "sentido" para o homem.

2. PREGAÇÃO COMPROMETIDA COM O HOMEM: as pregações tornam-se relevantes ao homem não naquilo que ele precisa, mas naquilo que ele quer. O homem precisa de Deus mas não deseja arrepender-se. Prega-se um Deus sem o arrependimento, um caminho fácil de se percorrer e um evangelho desfigurado. Enfim, procura-se agradar ao homem. Ele sai satisfeito, sem compromisso, não ofendido pelo evangelho e volta no próximo final de semana.

3. VERDADE RELATIVA: quando a Palavra de Deus é relativizada ela perde seu poder. Exposta parcialmente ela não tem poder de transformar o homem. Como subterfúgio cria-se uma vasta literatura de apoio que parece preencher as "lacunas" deixadas pela Palavra de Deus. Na verdade, são band-aids sobre um tórax aberto. A Palavra deixa de ser uma verdade para ser muitas verdades dependendo do ponto de vista do homem.

4. QUESTIONAMENTO E NEGAÇÃO DA VERDADE: costumo considerar esse erro como cortar o galho onde se está sentado. Semelhante a verdade parcial, é no entanto um passo adiante. Aqui não se encobre a doutrina para que ela não ofenda o homem, ela é sim deliberadamente expurgada para dar lugar a uma visão carnal da justiça e amor de Deus.

A Palavra que não confronta o homem lhe agrada. Ela entra em seu interior e não produz nada senão uma temporária sensação de satisfação. Ele se sente perdoado sem entender perdão. Sente-se amado quando na verdade teve apenas seu ego massageado. Iludido por uma sociedade que não lhe exige compromisso encontra nesse tipo de evangelho sua salvação. Ela não precisa ter uma aliança, ele não precisa dizer sim... ele apenas fica. Seu relacionamento é superficial. Ele nada tem a oferecer e não se importa de estar nessa situação. Sente-se bem. Isto basta.

Igrejas estão apinhadas de pessoas assim. Mentes carnais que encontraram na igreja um clube social. Elas não são confrontadas à mudança, a palavra que lhes chega aos ouvidos é insípida. Trata de assuntos tão triviais quanto qualquer programa de tv à cabo. São sempre os mesmos versículos distorcidos e tirados do seu contexto. São sempre as mesmas músicas antropocêntricas. São sempre os mesmos apelos para uma salvação temporária e para um perdão com prazo de validade.

Pregadores estão literalmente minando o único alicerce do Evangelho. Ao tornar a Palavra de Deus um livro que apenas pode ser "traduzido" por homens habéis em inventar histórias destróem a própria fé. Cortam o galho onde estão sentados.

23.8.10

convertendo um crente do seu "livre-arbítrio"

Um vez que outra (muitas vezes) paro e lembro um pouco da minha conversão. É difícil para alguém "criado" na igreja lembrar do momento exato... ou dos momentos "mais ou menos exatos". Tenho lembranças que vão desde um apelo para ir para missões do pr. Otávio Marques quando eu ainda tinha uns 8 ou 9 anos de idade até uma noite de arrependimento (meu arrependimento) em um retiro para adolescentes. Desde o dia da morte da minha mente caída ao dia em que vi um video no youtube com uma pregação do pr. Paul Washer, um desconhecido para mim até então.

Com trinta anos tenho muita coisa para lembrar... um outro tanto para esquecer (que eu realmente gostaria de esquecer). Estive no meio dos pentecostais, dos reformados, dos meio reformados meio pentecostais, dos que não sabem o que são e de outros seres dessa fauna gospel tupiniquim. Já presenciei e fui seduzido pela "unção do riso", pelo "cair do espírito", pelo "sapatinho de fogo". Vi gente imitando leão, pássaro, boi (ou vaca), gente falando em línguas estranhas e em línguas "muito estranhas". Já ouvi interpretações de línguas e já vi muita falta de discernimento também. Já vi endemoniado e gente tão cheia de si que poderia ser declarado semi-deus. Escutei pregações superficiais, muito-superficiais e algumas coisas que não poderiam nem mesmo serem catalogadas como simples diálogos.

Sempre que refaço os passos nos quais o Meu Deus me viu caminhar. Resta-me tão somente agradecer por não ter nenhum livre-arbítrio.

Por minha própria vontade ("vontade") continuaria no mesmo caminho do engano. Não pararia minha busca pelo sobrenatural, pelo fora do "normal", pelo extravagante e pelo exótico. Minha alma continuaria a importar mundanismos fantasiados de Verdade. Orgulhoso de um falso evangelho, escravo da mentira e buscando na Palavra um guia mágico. Um amuleto sem sentido, um símbolo sagrado tornado em pagão.

Ainda me sentiria satisfeito com palavras de exaltação do homem, pobres de Verdade, ricas de humanismo e eivadas de psicologia evangélica. Ainda me sentiria aliviado após um apelo de final de culto. Após um ato profético. Correria em vão um caminho que conduz ao inferno. Estúpido, galgaria por uma estrada construída por homens para homens.

Quando o Espírito Santo do Senhor mostrou-me pela misericórdia daquele que foi crucificado por mim, daquele que me escolheu antes mesmo que algum pecado a mim pudesse ser imputado, a minha incapacidade de escolher a Verdade. A minha incapacidade de cumprir a doutrina. A minha incapacidade de decidir pelo certo. quando isso aconteceu... foi o melhor dia da minha vida.

O dia em que ouvi: Eu te escolhi! Maravilhosa Graça. Eu nunca poderia ter feito uma escolha assim. Eu nunca teria escolhido o Deus Verdadeiro... eu sempre escolhi a mim... não faria diferente nem em um milhão de dias.

Não perguntei: Senhor, por que me fizeste assim? Por que não me deste escolha? Não era hora de reclamar... eu não tinha motivos para contender com o Criador. Ele havia com muita paciência suportado um insolente, uma criatura rebelde, um hipócrita. Eu ainda estava vivo, não havia sido consumido... Ele mostrara Seu incomparável Amor. Não levou em conta minhas fracas tentativas de atraí-lo mas me atraiu. Perdôou-me por ter acreditado na minha força e mostrou-me o quanto sou fraco. Sustentou-me com a ponta de seu dedo mínimo...

Irresistível graça!

Quem pode resistir?

"...como pode o homem ser justo para com Deus? Se quiser contender com ele, nem a uma de mil coisas lhe poderá responder. Ele é sábio de coração e grande em poder; quem tentou resisti-lo e saiu ileso?" (Jó 9.2-4)

7.8.10

a pregação pós-moderna (anotações - IV)

"A incerteza da pregação pós-moderna
dá ao homem a "certeza" de que ele não tem pecados."

Escrevi esta frase enquanto rascunhava o texto anteriormente publicado.



Ao tornar a verdade relativa, o pecado também se torna relativo. Todo o resultado ou conseqüência de um e de outro se tornam casualidade e/ou sem importância e necessidade.

Para quem entende a Salvação como um momento que pode ser perdido ou conquistado, e ainda que negue a salvação por obras inclui o homem como fator decisivo para a obra redentora, a verdade relativa do pensamento pós-moderno "preenche" a lacuna da mente carnal na busca de um contato sem compromisso com o sagrado ou espiritual.

Essa verdade relativizada não tem o mesmo poder da verdade absoluta. O pecado, como oposto a essa verdade, também perde seu poder, tornando-se não mais um problema, mas um probleminha. Se eu não preciso mais viver a verdade porque ela não é absoluta, também não preciso mais me arrepender, pois meu pecado também não é absoluto, ele é relativo, como a verdade que eu vivo.

Na carta que o apóstolo Paulo escreveu a igreja da Galácia ele cuidadosamente, literalmente e claramente enumerou as obras da carne (Gl 5.19-21). No entanto, a pregação pós-moderna distorce, ou em suas próprias palavras, "contextualiza" este texto adaptando à mente carnal do presente século. O pecado claramente descrito e a Palavra absolutamente verdadeira se tornam em um pensamento a ser interpretado e que regularmente é distorcido.

Estes três versículos do livro de Gálatas poderiam ser resumidos, ou reunidos, eu um único substantivo: mundanismo. Mas se nada é "totalmente" mundano e nada pode ser considerado "completamente" profano. As práticas pecaminosas descritas pelo apóstolo Paulo também não podem se consideradas "completamente" pecado.

A pregação pós-moderna basicamente faz isso. Ela primeiro desqualifica a Palavra de Deus como Verdade. Posteriormente, anula a soberania de Deus. Por fim, dá ao homem o poder de se salvar, ou de se perder.

7.7.10

Deus pode me julgar?


Mark Driscoll. Can God judge me?