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9.1.11

sou spurgeonista... calvinista... e o problema é meu

Recentemente o Pr. Renato Vargens publicou um texto intitulado: "Pode o crente em Jesus perder a Salvação?"

Minha resposta é não. Obviamente não. Aqueles por quem Cristo derramou seu sangue foram comprados, justificados e o poder da cruz não pode ser suplantando por nenhuma outra força deste ou de qualquer outro mundo.

Então, conforme minha resposta, posso ser embalado, rotulado e colocado na estante "calvinistas".

Ótimo. Nenhum problema com isso. Sentiria-me realmente ofendido se assim não fosse "rotulado". Serve também colocar na tarja: protestante/fundamentalista/fora-da-nova-visão-do-mundo-gospel.

Mas a questão vai muito mais além que apenas calvinismo ou arminianismo. Vai muito mais longe que predestinação e autodeterminação.

Charles H. Spurgeon, um calvinista, trouxe à luz algo muito mais importante: Regeneração.

Vou então refazer a pergunta do Pr. Renato Vargens.

"Pode um crente regenerado em Jesus perder a Salvação?"

Não. Para mim é muito claro que não. Alguém de mente regenerada peca, mas não volta atrás.

Os que pegam no arado e olham para trás, não são aptos.

Mas e quanto as advertências de Paulo quanto ao cuidado em não cair?

Entendo que Paulo se referia ao pecado. É apenas um pensamento e entendimento meu.

Tá.. e aí?

Nos comentários que li no texto do Pr. Renato Vargens publicado no blog Púlpito Cristão, vi que a indignação dos que rejeitam a Teologia da Graça, não se apoia em textos bíblicos, mas em posição política, ideólogica e social. Não se apoia na justiça de Deus, mas na suas próprias convicções de justiça.

Um leitor comentarista escreveu:

"O pior é que é um raciocínio circular, uma teoria impossível de refutar: "se perdeu a salvação, então nunca a teve realmente."

Veja, ele não citou uma "teoria impossível de refutar", mas (consciente ou não) uma explicação do apóstolo João que escreveu: "Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós." (1 Jo 2.19).

O entendimento deste rapaz é que a Palavra não é suficiente e definitiva, ela é parcial e amolda-se a mentalidade carnal do homem, e não o contrário. Assim, o que João escreveu foi algo "perverso", visando apenas nos deixar sem respostas e de cabeça baixa aceitar sua proposta maluca de salvação.

Um outro escreveu: "Pr Renato, relacionar as alianças de Deus com Abraão, Israel com a salvação em Cristo é um erro grosseiro."

Se esta pessoa ainda não conseguiu ver isso na Palavra, age tal qual os fariseus e saduceus que não viram em Cristo o Messias. Leram as escrituras e não as entenderam.

Alguém também citou o Pr. Ciro Zibordi. Excelente comentário. Isso mostra apenas que não é por não crer em predestinação que alguém se perde. Pois creio, de todo coração, pelo pouco que conheço o Pr. Ciro, ser ele um homem temente a Deus e servo do Altíssimo.

Mas maior crítica que vejo dos não calvinistas é seu temor de que pessoas que agem fora de seus padrões ou que eles considerem perdidas, possam ser salvas. Reproduzem a sua justiça em Deus. "Ora, não seria justo Deus salvar este e não este"... "quem Deus pensa que é para me salvar sem me consultar?"... "e se eu não quiser?"... "eu tenho direitos!"

Predestinação não é pré-requisito para salvação. Regeneração sim. Regenerados em Cristo não perdem a salvação, pois Ele mesmo é quem produz isso em nós.

Porque se achar mais santo. O assassino ao lado de Cristo na cruz era mais santo que algum de vós?

Sou spurgeonista por livre escolha. Calvinista por eleição. Salvo e regenerado mediante a Graça de Deus, algo que eu jamais alcançaria por mim mesmo. Mas, como escravo da Justiça e livre para o pecado, tenho a mente trasnformada. Certo, de que nem a morte nem mesmo essa vida pode me separar do amor de Cristo.

Ah... e quanto aos arminianos que gostam de cantar esse texto de Paulo em canções... parem com a hipocrisia, vocês crêem que a morte, a vida, os principados, as forças do presente e do porvir, os poderes, as alturas e profundidades podem afastá-los do amor de Deus.

Ou não?

12.8.10

uns cogitam coisas da carne... outros coisas do Espírito

Li, ontem eu acho, um texto do Leonardo Galdino, publicado nos blogs Bereianos e Púlpito Cristão, além do próprio blog do autor, claro. Quanto ao artigo, nada a acrescentar. É excelente. Quanto aos comentários que li do artigo nos três blogs que supracitei. É lamentável. Sim... lamentável...

O veneno do pós-modernismo corre nas veias dos "novos evangélicos". Uma frenética busca em transformar a Palavra de Deus em algo tão instável quanto a própria mente humana caída, para que assim, ela possa ser mais bem digerida pelo homem.

Engraçado (ou tragicômico) foi ver um comentário em que alguém defendia a neo-teologia do pr. Gondim usando um texto de Charles H. Spurgeon... faz-me rir... Spurgeon colocaria essa teologia receosa de "ofender" a criatura e firmada em areia movediça ao lado daqueles com quem lutou no final da sua vida na Controvérsia do Declínio. O príncipe dos pregadores não aceitou a pregação moderna... não aceitaria o seu filhote: a teologia liberal.

Outro afirmou que Jesus não era adepto da "teologia da certeza". Mas de que Jesus esse camarada tá falando? Usou o fato de Jesus responder aos questionamentos com outra pergunta. Jesus não perguntava por que tinha dúvidas, perguntava porque tinha certeza. Perguntava porque estava ensinando. Atribuir ao Cristo, Filho de Deus, incertezas, é no mínimo... HERESIA. Se bem que esse termo caiu em desuso, como também palavras como MUNDANISMO e DOUTRINA... é claro.

Outro tipo de comentário que vi foi o "questionamento" de Lutero e Calvino feito a igreja romana. O artigo escrito pelo irmão Leonardo não trata de "questionar" a instituição igreja, trata de questionar a Palavra. Não um questionamento com o intuito de aprendizado, mas o questionamento que põe em chave a própria fé. Tolamente, os que tornam "parcial" ou "relativa" a Palavra, cortam o galho da fé onde estão sentados.

Leitores e admiradores de livros como A Cabana, deleitam-se mais lendo Foucault e Nietzsche que as cartas de Paulo. Porque parece a seus olhos, que aquelas dão mais certezas por se afirmarem como incertezas que essas que se apresentam como verdade irrefutável. O Evangelho não é firmado em areia, mas em rocha. O questionamento deve sempre existir, somos criaturas pensantes, racionais. Mas a verdade é uma só. Não é a Palavra que se adapta ao meu pensamento... minha mente é que deve ser transformada pela Palavra.

Terminarei da mesma forma que o Leonardo concluiu seu texto.

"Vou ficar mesmo com a fé do cristianismo histórico". Pois já experimentei dessa outra água... e ela fede.

18.7.10

anotações - I

- A Igreja Presbiteriana do Brasil, em seu último Supremo Concílio, realizado em Curitiba, passou a considerar como seitas, a Igreja Universal e a Igreja Mundial. Pessoas oriundas dessas duas denominações precisam ser batizadas e fazer profissão de fé (informação dada pelo pr. Augustus Nicodemos em seu blog). Não sou presbiteriano, nem nunca frequentei um templo presbiteriano, mas aprovo e elogio a atitude deste concílio. Tais denominações passam ao largo do que biblicamente se pode considerar cristianismo, nada mais correto do que considerar aqueles que por anos se sujeitam a essas doutrinas, e crêem nelas, não cristãos. Quando saem de lá, é porque realmente se converteram e entenderam o Evagelho da Cruz. Ou apenas não conseguiram aquilo que queriam e agora estão procurando um novo pajé, vai saber...

- Comecei a ler o livro Com Vergonha do Evangelho, do pr. John MacArthur. Anotei duas frases, a primeira de Charles Spurgeon, que o autor utilizou para introduzir o prefácio de seu título:

A apatia está por toda a parte. Ninguém se preocupa em verificar se o que está sendo pregado é verdadeiro ou falso. Um sermão é um sermão, não importa o assunto; só que, quanto mais curto, melhor.

A segunda frase é do próprio John MacArthur:

O entretenimento está rapidamente se tornando a liturgia da igreja pragmática.(...) Sutilmente, em vez de uma vida transformada, é a aceitação por parte do mundo e a quantidade de pessoas presentes aos cultos que vem se tornando o alvo maior da igreja contemporânea.

Uma boa semana...