21.3.15

pastor ou super-star?

Vejo a igreja brasileira passando por dois processos distintos. Um processo, inclusive neste blog é bastante retratado, é o inchaço que a igreja institucionalizada brasileira atravessa, fruto de uma pregação díspar ao Evangelho, pior que isso, contrária a Palavra em quase todas as suas manifestações e que distorce as Escrituras em prol da construção de impérios pessoais de líderes megalomaníacos e sedentos por fama e riqueza. Um outro processo é o inverso deste. Uma igreja que se levanta, inclusive dentro dessas mesmas instituições onde o caos espiritual se instalou, e que diz não ao paganismo gospel, o abandona e condena, e defende um retorno a um Evangelho estritamente bíblico.

No entanto, como escrevi em meu texto, Novos Reformados meio deformados, um grande número de auto-proclamados cristãos reformados, têm pregado um Evangelho tão distorcido e egocêntrico quanto aquele que se vê no decadente movimento gospel. Alguns textos, piadas (piadas pseudo-reformadas são as mais estúpidas que encontro na internet) e vídeos, são a prova final de que ali há ausência de Teologia Cristã sadia e excesso de ignorância doutrinária e estupidez humana.

Um tempo atrás, viajando a outro Estado, conheci um pastor que liderava uma pequena comunidade cristã que se apresenta como reformada. No entanto, a única coisa reformada que encontrei em sua igreja foram as instalações. Sua pregação era uma mistura de tudo e em pouco mais de uma hora de discurso (aquilo estava longe de ser uma pregação), ele falou de política, economia, moda, indicou séries de TV e até leu um texto bíblico. Contudo, sua pregação nada mais era do que um discurso do seu ponto de vista do mundo.

Isso me abriu os olhos para começar a ver e ler alguns vídeos e textos na internet, ainda que de blogs e sites auto-proclamados reformados, de uma forma um pouco diferente. Não pensando exatamente o que aquele texto queria 'dizer' mas o que seu autor 'queria' com aquele texto. 

O que comecei a perceber ao ver e ler vídeos e textos em alguns blogs e nas redes sociais, é que alguns estão esperando apenas "likes" e comentários. A máxima de pregar o que a igreja quer ouvir, tão profundamente emaranhado na teologia da prosperidade, é realizada com muito sucesso também no pseudo meio reformado. São ávidos em produzirem material "polêmico", sem nenhum argumento e que nada produz em quem lê ou vê senão ódio e revolta. Criticam outros pastores apenas baseados em uma percepção pessoal e não em fundamentação bíblica profunda. São excelentes papagaios imitadores de pregadores reformados estadunidenses vistos no Youtube, mas péssimos cristãos vistos no dia-a-dia. Chocou-me ler em um texto, um rapaz que afirmava preferir ler Mark Driscoll a John Piper, pois aquele era mais moderno que este. Não foi o gostar mais de um ou de outro pastor (preferências são naturais ao ser humano, eu tenho mesmo minhas preferencias), mas porquê sua avaliação estava fundamentada em um aspecto superficial e não bíblico ou espiritual.

Percebo também, muitos que algum tempo atrás estavam em seu momento infantil do Evangelho, e que hoje produzem textos e vídeos melhores, que aparentemente amadureceram e reorientaram sua pregação, vejam, minha crítica não é a quem faz isso na internet, eu mesmo escrevo na internet e nas redes sociais. Minha crítica é aos que tem usado isso com os mesmos objetivos dos líderes neopentecostais. Minha crítica é aqueles que insistem em um modelo que parece estar dando certo com "desigrejados". Uma pregação pautada em uma dura crítica a sociedade cristã brasileira, mas que não avança além disso; jovens que são capazes de atacar o neopentecostalismo, mas não defender o Evangelho. São profundos em perceber os equívocos doutrinários dos tele-pastores, mas superficiais em perceber a ausência de doutrina bíblica em seus discursos e vidas.

Nós precisamos ser mais criteriosos e rígidos nas nossas definições do que é uma Teologia cristã reformada e realmente fundamentada na Palavra de Deus, ou corremos o risco de sermos acusados (se já não somos), de ser tão diferentes de Cristo quanto o movimento gospel e suas "teologias" deturpadas são.


Soli Deo Gloria. Sola Scriptura.

Texto publicado no blog Púlpito Cristão em 20 de março de 2015.


16.3.15

o que é a conversão?

Um método que gosto de usar para explicar muitas coisas é começar dizendo o que elas não são. Gosto de usar isso quando alguns temas possuem definições populares mas que, apesar de bastante difundidas, estão em desacordo com as Escrituras.

Primeiro: Conversão não é uma decisão ou resolução moral do homem. Uma conceito bastante popular de conversão está ligado a vida moral dos que professam a Fé cristã. Crente não rouba, não mata, não bebe... Ora, roubar não é algo proibido ou imoral apenas para cristãos, mas para ateus, espíritas, budistas e para qualquer ser humano, o ato de roubar segue uma convenção social universal de que é imoral. Logo, Conversão não é assumir a partir de um momento a necessidade de praticar boas obras e viver de forma correta na sociedade em que se está inserido.

Segundo: Conversão não é uma decisão intelectual. É comum em algumas denominações o momento do apelo final ou o “convite a Salvação”. Veja, após um sermão de 45 minutos, onde a pessoa foi exposta a uma explanação sobre um assunto bíblico que não necessariamente trata especificamente do arrependimento, do perdão e do poder da Cruz, temas básicos para compreender a Salvação, aquele homem ou mulher é submetido a uma oração realizada por repetição e recebe, de forma quase que papal, a Salvação. Isto é obviamente um atentado a ensinos básicos do Evangelho e não encontra suporte bíblico senão na fragilidade de alguns versículos mal interpretados.

O que é a Conversão então? A Conversão é um processo e não um momento, por isso ela não pode ser fundamentada em uma decisão tomada por alguém ao final de um sermão que pode ter mexido com o emocional dessa pessoa, mas não com sua mente. A Conversão também é uma alteração de caminho, uma mudança radical naquilo em que creio e confio. A Conversão significa que agora meu coração caminha e deseja caminhar em direção a Deus e rejeita de forma absoluta e incondicional aquilo que é desprezado por Ele.

Conversão é uma profunda mudança de confiança. A minha confiança depositada nas minhas habilidades, bens, amigos, governo etc. é substituída por uma confiança plena em Cristo. Minha esperança neste mundo e naquilo que posso conquistar por meio das minhas capacidades é substituída pela Esperança que tenho em Cristo e naquilo que Ele não irá conquistar, mas já conquistou de forma gloriosa na Cruz.

O chamado dos discípulos é algo fantástico de se analisar, a simplicidade do ato de Simão Pedro e André ou João e Tiago, largando suas redes (Mateus 4.18-22) ou de Mateus abandonado seu posto na alfândega (Mateus 9.9) e seguindo a Cristo, tem um profundo significado espiritual para explicar a Conversão. O poder do chamamento de Cristo e a convencimento gerado pelo Espírito Santo, faz com que o homem abandone de forma imediata aquilo em que ele deposita sua confiança.

Por fim, Conversão é um ato de Ressurreição. Pega-se um cadáver, um corpo totalmente sem vida pois não há Espírito nele, o Pecado não apenas o aprisionou mas o consumiu até a morte, não passam de ossos secos e empoeirados. Então, fazendo uso de seus ministros, nós, os salvos, os já convertidos, Deus diz: “Diga a esses ossos: Ouçam a Palavra de Deus!” (Ezequiel 37.4). E a Palavra, não nós, mas a Palavra, a mesma que gerou o Universo do absoluto vazio e ordenou toda a Criação, faz com que ossos secos e sem vida criem juntas, nervos, carne e um coração pulsante.

Conversão nada mais é do que a sobrenatural atuação do sangue de Cristo por meio da pregação da Palavra de Deus, que tem o verdadeiro poder de ressuscitar os mortos. Então pregue a Palavra de Deus. Ressuscite os mortos.


Soli Deo Gloria

Texto publicado no Pelo Amor de Deus em 16 de março de 2015.

13.3.15

novos reformados meio deformados

Uns anos atrás, após um sermão em uma igreja onde era convidado, um rapaz puxou assunto comigo logo após a reunião e largou: “parecia o Paul Washer”. Legal né? Se você é batista e reformado, ouvir isso pode soar com um grande elogio... ou não. Isso me lembrou uma conversa que tive com um jovem pastor, que após uma reunião me perguntou o que eu tinha achado, após algumas anotações fui direto: “você podia ser menos o Mark Driscoll e mais você mesmo”.

Depois de conversar um pouco mais com aquele rapaz que me “elogiou”, fazendo uma comparação com Paul Washer, entendi que ele não me achava parecido na maneira de falar ou mesmo de pregar, mas estava relacionado ao conteúdo do sermão daquela noite, que havia sido sobre o Pecado.

No entanto, os jovens reformados que pululam nas igrejas históricas ou não, são em parte reformados apenas nas suas declarações, nem mesmo o são em sua defesa do Evangelho. Ao conversar com alguns jovens, de pouco mais ou pouco menos de 20 anos que já criaram seminários, cursos de missões e igrejas, percebi que a maioria deles não tinha nenhuma experiência sequer de vida.

Nunca fizeram uma faculdade ou seminário teológico, alguns nem terminaram o ensino médio, não são casados, leram poucos livros e em geral de um único autor/pastor, o “preferido”, tem pouco ou nenhuma experiência ministerial, etc. Percebi que, ao contrário das orientações que via nas igrejas reformadas (eu venho de uma cultura pentecostal) de autoridades formadas e aprovadas, os novos “líderes” reformados pouco tinham a acrescentar, senão uma série de textos e vídeos com assuntos muito mais polêmicos do que de ensino bíblico. Seguido de uma série de criações de páginas em redes sociais que tem como único objetivo depreciar figuras históricas do cristianismo do passado ou contemporâneo.

Qual o problema disso? O mesmo problema que vemos nas igrejas neopentecostais e na fragilidade de suas pregações e deformações teológicas.

Com 30 anos comecei a escrever para blogs, pouco depois de ter conhecido a teologia reformada, com quem havia tido o primeiro contato apenas 3 anos antes. Lembro de uma vez o Leonardo Gonçalves (Púlpito Cristão) ter me dito que um dos meus textos era “meio arminiano, meio calvinista”. Hoje, quando olho para alguns destes textos, reconheço inúmeros erros teológicos em definições básicas do calvinismo. Não era por tolice ou ignorância, tinha formação em Teologia e em História e sei como se faz uma leitura objetiva, uma pesquisa ou mesmo uma tese. Acontece que meus erros estavam muito mais ligados a percepções pessoais que eu tentava moldar a Palavra, indo de encontro a Teologia da Graça que encaminha o homem a ser conformado pela Palavra e não o contrário.

O que tenho visto nos “jovens reformados” é o mesmo para algo um pouco pior. O Youtube e o Facebook acabaram por se tornar palanques para suas posições pessoais sobre política, economia e religião sob a cortina de discurso reformado. Se aplicam algum conceito reformado aqui, o abandonam no próximo vídeo ou texto para defender uma posição pessoal. Somando-se a isso um culto a intolerância e ao ódio àqueles que discordam de suas posições, não teológicas, mas pessoais.

É saudável e realmente renovador para a igreja que a cada dia exista um interesse de jovens em buscar conhecer a Teologia Reformada e vive-la. No entanto isso não é uma moda. Isso não é salto social dentro da igreja, se você quer isso visite e congregue uma igreja neopentecostal. Lá é o lugar para se produzir pequenas estrelas-(de)cadentes que tem como objetivo o pequeno poder e a fama.

A Teologia Reformada é a teologia da Soberania de Deus, da Insuficiência humana e da Glória devida somente Aquele que criou os Céus e a Terra.

Soli Deo Gloria

Publicado originalmente no blog Púlpito Cristão em 13/03/2015.

11.3.15

desviados. de quem é a falha?

O primeiro passo neste texto é definir o que é um desviado. Popularmente dentro de uma teologia que crê que o homem pode “perder” a Salvação, crê-se que desviado é aquele que converte-se a Cristo, tem seus pecados anulados na Cruz, torna-se salvo, nasce de novo, recebe o Espírito Santo de Deus, Cristo começa até a construir uma casa para ele no paraíso e por fim ele abandona a Fé (dando inclusive um baita gasto pro Reino de Deus que terá que dispensar os anjos-pedreiros*).

Dentro da Teologia Reformada, obviamente não existe espaço para essa figura do cristão desviado. Não cremos que aquele que conheceu a Cristo e foi liberto da escravidão do pecado e ressuscitado da morte por Ele perca-se, pois em Cristo reside toda nossa Esperança e Segurança: “Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, também chamou; aos que chamou, também justificou; aos que justificou, também glorificou.” (Romanos 8.29-30 NVI). Mas existe sim a figura daquele que a Palavra descreve em Hebreus 6.4. Que não consideramos “desviado”, mas como o apóstolo João explicou em sua primeira carta (1 João 2.19): “saíram porque não eram dos nossos”. Isso deixa claro que para “reformados”, “uma vez salvo, salvo para sempre”, isso no entanto não significa que todos que vão a igreja são salvos apenas porque disseram sim em uma apelo ao final do sermão. Nossa definição de “Salvo”, é completamente diferente.

Definido o que é um desviado voltamos a pergunta do título: De quem é a falha?

Alguém tem culpa nesse cartório e só podemos culpar o homem, já que Deus é Justo, Santo e Perfeito. Também não podemos culpar satanás, pois ele age conforme a permissão de Deus e Deus nunca colocaria sobre o homem uma tentação que ele não pudesse suportar, como aprendemos em 1 Coríntios 10.13. Logo, apenas o homem pode ser culpado... quem leva a culpa então? Sim, leva a culpa o que se perde. Mas segue-se aqui um ensino bastante interessante que temos no Antigo Testamento. Em Ezequiel 33.1-9, Deus apresenta a Ezequiel a responsabilidade do atalaia sobre os homens. SE é responsabilidade do homem se defender das flechas do inimigo e preparar-se devidamente para a batalha, é tarefa do atalaia avisar da aproximação do inimigo.

Quantos pastores simplesmente deixaram de ser atalaias porque avisar do mar de trevas que se aproxima é péssimo para alguém que quer apenas carregar boas notícias? Atalaias estão permitindo que soldados morram porque estão mais preocupados com suas posições eclesiásticas e sociais que com sua posição de submissão a Deus.

No entanto, o grande problema dos pregadores e líderes cristãos contemporâneos é o conceito de Salvação que têm. Pessoas salvas são aquelas que respondem ao apelo e começam a vir aos domingos, entregam seus dízimos e suas ofertas e eventualmente participam de algum ministério ou programação promovida pela igreja. Péssimo conceito a ser adotado. Pois no afã de aumentar seus números, sua arrecadação e junto com isso seu prestígio junto à comunidade evangélica, pastores barateiam o Evangelho. E como isso é feito? Separo em três pontos:

1º. Simplificação do Evangelho: simplificação aqui não é tornar a Palavra de fácil entendimento, isto seria e é pedagogicamente correto. Ensinar a Bíblia para um letrado e diferente de ensiná-la para um analfabeto, ou do ensinar a Palavra para uma criança ou adulto. Não é dessa simplificação. A simplificação que falo é a simplista. A Palavra perde todo seu teor poderoso para transformar o homem e é transformada em um ralé manual de “uma vida melhor” ou “uma vida vitoriosa”.

2º. Abandono do Ensino das Escrituras: se já tornou a Palavra apenas um adendo a todo tipo de programação antropocêntrica a que a igreja está mergulhada. Com tanto tempo dedicado a teatro, música, chá das senhoras, futebol, reunião dançante, almoço de casais, jantar de solteiros etc. O tempo dedicado ao Ensino das Escrituras é substituído por eventos que acredita o pastor, são mais fortes para segurar e atrair novos membros.

3º. Adoção de métodos de crescimento de igreja: Veja, uma coisa é você adotar um método de ensino da Palavra, como a EBD, ou de evangelismo, método de abordagem ou coisas do tipo, que podem ser uteis, principalmente para novos na Fé. Métodos para crescimento de igreja não são isso. Modelos como G12, M12 ou MDA, por exemplo, são métodos baseados em modelos administrativos que visam o crescimento da igreja unicamente pelo crescimento. A igreja (instituição) cresce, mas a igreja (noiva de Cristo), nem mesmo nasce nesses lugares. Crentes raquíticos e uma igreja fraca, resultado, grande rotatividade da membresia e elevado número de desviados ou “crentes carnais” (mais um dos absurdos conceituais da igreja contemporânea). Adotar um método de crescimento é um atestado de que este líder ou pastor não confia no poder sobrenatural da mesma Palavra que criou o Universo tem agora o poder para Salvar. Como está escrito em Jeremias 17.5: “"Maldito é o homem que confia nos homens...”, e isso inclui seus métodos para inchar igrejas.

Tenho uma teoria, é apenas uma teoria mas tenho bons argumentos para ela. Se uma igreja recebe muitas pessoas mas elas não conseguem ficar muito tempo sentadas nos seus bancos, é porque talvez não tenha sido gerada nenhuma Fé para Salvação em suas vidas. Elas podem estar bem alimentadas quanto a relacionamentos e ter uma vasta carta de programação para preencher o vazio de suas vidas pouco sociais por toda uma semana, quem sabe um mês.

Mas se os pastores dessas igrejas parassem para ouvir suas próprias pregações, talvez encontrassem o erro que tem transformado suas congregações em parada de ônibus e não em aprisco para ovelhas. "A Fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus (Romanos 10.17)... então talvez o que eles estejam ouvindo não seja a Palavra de Deus... e este é só um dos argumentos."


*anjos-pedreiros não existem, então se alguma denominação neopentecostal começar a utilizar este anjo para alguma coisa vou cobrar direitos autorais.

Publicado originalmente no blog Electus, em 10/03/2015

o culto formal

Um tempo atrás, quando mudei de igreja, ouvi de alguém a frase: “você vai para aquela igreja? Eles são tão formais!” O ‘formais’ foi na verdade um eufemismo para frios, pois de fato, está impregnado na cultura do culto contemporâneo a necessidade da agitação corpórea, da excitação mental e de manipular a congregação a um sentimentalismo coletivo.
Pois bem, independente do que me diziam e afirmavam, que incluía enterrar meus dons, troquei de igreja, e apesar de muitos anos fora de uma igreja com uma liturgia digamos, mais tradicional, não tive dificuldades em me (re)adaptar rapidamente ao novo/antigo ambiente. Com o tempo tive a percepção de que aquele ambiente era menos formal que poderia ser o ambiente de qualquer outra denominação não “tradicional” ou histórica do qual eu já tivesse participado.
As igrejas contemporâneas têm a tendência em tornar o culto que elas julgam ser movido pela liberdade do Espírito Santo, em uma liturgia repleta de ícones e simbolismos que tornam aquele ambiente extremamente formal - por vezes bem bagunçado e desordenado, mas formal. O período de louvor é o ápice dessa liturgia, com a missão de encaminhar toda a coletividade num mover de que “o mundo ficou lá fora e aqui esquecemos todos os problemas”, com letras de músicas antropocêntricas e um som muitas vezes desmedido para os metros quadrados que dispõe a congregação.
Segue-se a estes momentos o da oferta, que não raras vezes é precedido de uma palavra de alerta àqueles que dão ‘brecha para o devorador’ em suas vidas e que é procedida de uma oração que ‘repreende a mão do devorador’ sobre os que ofertaram. Há também o momento do apelo final ou oração final onde, sem nenhuma conexão com o sermão da noite, as pessoas são encaminhadas à frente do altar para receberem imposição de mãos e unção com óleo. Não parece, mas tudo isso é extremamente formal.
Onde reside a formalidade? Tire isso de um único culto nessas igrejas, apenas um desses elementos litúrgicos, e o pastor ouvirá durante toda a semana que aquele foi um culto ruim, foi um culto onde Deus não agiu e não se viu a obra do Espírito Santo. Acontece que, após o louvor “esqueça o mundo lá fora”, essas pessoas reencontram o mundo lá fora exatamente como o deixaram, após a imposição de mãos aquela dor persiste e após ofertar o que não se tinha e a oração forte que repreendeu a mão do devorador, na segunda-feira aquele homem ou mulher descobre estar demitido. Entenda, eu creio no poder da oração, no Deus que cura, na oferta como adoração e no louvor ao Senhor... então não é contra isso que estou falando (ou escrevendo).
Veja, este texto não é contra o período de louvor, contra a oferta ou contra a oração com imposição de mãos, se alguém até aqui está lendo e interpretando isso, comece a ler novamente. Minha crítica é ao que isso se tornou na igreja. O louvor tomou o espaço em importância e relevância da Palavra de Deus na Igreja, novos e velhos crentes têm seus conceitos cristãos e teológicos construídos sobre o frágil alicerce de letras de músicas, muitas (muitas mesmo) delas sem nenhuma condição espiritual de serem entoadas por um cristão. A oferta, deixou de ser um momento de adoração para ser um momento de coerção entre pastor e ovelhas, e de barganha das ovelhas com Deus. E por fim, a oração com imposição de mãos tem revelado o que há de pior dentro da igreja, que é o estrelismo que alguns julgam ter sobre outros e que é alimentado por uma massa sedenta por uma benção alcançada no melhor estilo fast-food: “pediu, pagou, levou”.
A igreja contemporânea está a criar cada dia novos ícones e símbolos, sejam eles ações ou palavras, e gradativamente abandona o culto simples que tem como objetivo ensinar a igreja a ser uma conhecedora da Palavra, imitadora de Cristo e efetivamente relevante nesta terra.
Voltemos ao Evangelho, puro e simples.
Publicado originalmente no blog Púlpito Cristão em 06/01/2015

15.6.13

o que a Bíblia tem feito por você?

Acredito que quando você se converteu uma das primeiras providências que tomou foi comprar uma Bíblia. E desde então, o que ela tem feito por você? Sim. O que a Bíblia tem feito por você? Ela tem feito alguma diferença na sua vida? E ainda, o que você tem feito pela Palavra de Deus?

Não é nenhuma novidade, nenhum livro no mundo é tão vendido quanto a Bíblia. Editoras cristãs e seculares publicam Bíblias em modelos, versões e “invenções” diversas buscando um público que compra a capa mas não o conteúdo. Sim o livro mais traduzido e comprado no mundo é também os menos lidos em comparação ao volume de sua produção. Em 2011, uma pesquisa da Sociedade Bíblica Ibero Americana, apontou que quase 51% dos pastores evangélicos nunca leu a Bíblia por completo. A resposta dada por estes pastores é, acredito sem precisar promover nenhuma pesquisa, a mesma que continuamente usamos: “Não tenho tempo!”

Sim, é verdade que o trabalho, a esposa ou esposo, os filhos, as tarefas de casa, o jogo de futebol, a novela, a conversa fiada, o vídeo-game… veja, realmente algumas coisas tiram o seu tempo e não podem ser retiradas de sua vida, outras no entanto não só tiram seu tempo, mas também o desqualificam. É necessário qualificar o nosso tempo, não é um conselho meu, mas do apóstolo Paulo quando disse: aproveitem ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus. Portanto, não sejam insensatos, mas procurem compreender qual é a vontade do Senhor. (Efésios 5.16-17). Como você tem aproveitado seu tempo? Você tem um tempo de qualidade com o Senhor? Você tem buscado compreender a vontade do Senhor? Você tem feito alguma coisa pela Palavra de Deus?

A Bíblia se tornou um item de coleção para alguns, pois compram vários exemplares de Bíblias de Estudo como se o simples fato de os ter já o torne mestre. Para outros, não passa de um amuleto, colocam uma aberta nos Salmos sobre uma mesinha na sala, outra dentro do automóvel, outro na gaveta da sua mesa de trabalho, outra no quarto do bebê… o objetivo é tornar a Palavra de Deus um “santinho” igual ao que se compra em lojinhas de produtos religiosos. Sem uso a Bíblia não tem nenhum poder miraculoso, ela não é efetiva contra mau-olhado ou pesadelos, sem o Espírito para vivificá-la em você, ela não pode fazer nada. Alguns ainda a levam na igreja, com dificuldade encontram os livros e com tédio os leem juntamente com o pregador. Sim, a Bíblia parece ser tudo, até apoio para livros mais leves na estante, menos a Preciosa Palavra de Deus.

Vivendo um cristianismo antropocêntrico onde nós somos o centro da Vontade de Deus e não contrário, deturpamos a verdade de que a fidelidade Dele permanece independente da nossa infidelidade, mas esquecemos que se o negarmos, Ele também nos negará (2 Timóteo 2.12). Talvez você pense: “Eu não o nego, eu apenas não leio a Bíblia”. Bem, a própria Palavra afirma que isso é negar ao Senhor, pois vejamos o que nos diz as Escrituras.

No livro de Oséias, no capítulo 4, Deus fala por intermédio do profeta sobre a infidelidade, a falta de amor e de conhecimento da Lei do Senhor que cresce no meio do Seu povo. Deus claramente diz: Isto está desaparecendo do meio de vocês!

O texto que segue mostra a preocupação de Deus com Seu povo que pouco a pouco abandona a Aliança firmada com Ele em Abraão. Então chegamos no versículo 6 deste texto: Meu povo foi destruído por falta de conhecimento. “Uma vez que vocês rejeitaram o conhecimento, eu também os rejeito como meus sacerdotes; uma vez que vocês ignoraram a lei do seu Deus, eu também ignorarei seus filhos. (v.6)

Conhecimento aqui não é o muito estudo que você pode ter ou as muitas horas que passa assistindo o Discovery Channel. Não, o Conhecimento aqui é a própria Palavra de Deus e Sua Revelação, que para nós chegou deixando um imenso rastro de sangue derramado por pessoas que valorizaram este livro mais do que a sua própria vida, porque sabiam que nada podia ser mais precioso que a própria Palavra de Deus entregue aos homens, e assim como Cristo morreu por eles, eles morreram pela Sua Palavra, não como quem pagasse uma dívida, mas por compreenderem quem nem mesmo essa vida poderia ser maior do que aquilo que está preparado para aqueles que são chamados segundo o Seu propósito (Romanos 8.28).

Seu outro argumento pode ser o de que hoje vivemos em outra Aliança e não mais sobre a Lei de Moisés. Amados, a Aliança que temos firmado no Senhor procede da Fé, assim como a Aliança feita com Abraão, do qual Deus, antes da Lei disse: em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra (Gênesis 28.14). Abraão creu e nada lhe foi imposto em tábuas de pedra, pelo contrário o temor do Senhor lhe foi impresso no coração. Viver sob a Graça exige de nós algo muito mais profundo que uma lei escrita em tábuas de pedra, exige uma lei gravada no coração.

Por fim, Lembre-se sempre do fato de que em Deus não há sombra de mudança (Tiago 1.17). Por isso, é verdadeira a Palavra: Se o negarmos, ele também nos negará. (2 Timóteo 2.12)

Que o Espírito Santo do Senhor possa nos transformar a cada dia, levando-nos a amar a Sua Palavra.

Soli Deo Gloria