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11.3.15

desviados. de quem é a falha?

O primeiro passo neste texto é definir o que é um desviado. Popularmente dentro de uma teologia que crê que o homem pode “perder” a Salvação, crê-se que desviado é aquele que converte-se a Cristo, tem seus pecados anulados na Cruz, torna-se salvo, nasce de novo, recebe o Espírito Santo de Deus, Cristo começa até a construir uma casa para ele no paraíso e por fim ele abandona a Fé (dando inclusive um baita gasto pro Reino de Deus que terá que dispensar os anjos-pedreiros*).

Dentro da Teologia Reformada, obviamente não existe espaço para essa figura do cristão desviado. Não cremos que aquele que conheceu a Cristo e foi liberto da escravidão do pecado e ressuscitado da morte por Ele perca-se, pois em Cristo reside toda nossa Esperança e Segurança: “Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, também chamou; aos que chamou, também justificou; aos que justificou, também glorificou.” (Romanos 8.29-30 NVI). Mas existe sim a figura daquele que a Palavra descreve em Hebreus 6.4. Que não consideramos “desviado”, mas como o apóstolo João explicou em sua primeira carta (1 João 2.19): “saíram porque não eram dos nossos”. Isso deixa claro que para “reformados”, “uma vez salvo, salvo para sempre”, isso no entanto não significa que todos que vão a igreja são salvos apenas porque disseram sim em uma apelo ao final do sermão. Nossa definição de “Salvo”, é completamente diferente.

Definido o que é um desviado voltamos a pergunta do título: De quem é a falha?

Alguém tem culpa nesse cartório e só podemos culpar o homem, já que Deus é Justo, Santo e Perfeito. Também não podemos culpar satanás, pois ele age conforme a permissão de Deus e Deus nunca colocaria sobre o homem uma tentação que ele não pudesse suportar, como aprendemos em 1 Coríntios 10.13. Logo, apenas o homem pode ser culpado... quem leva a culpa então? Sim, leva a culpa o que se perde. Mas segue-se aqui um ensino bastante interessante que temos no Antigo Testamento. Em Ezequiel 33.1-9, Deus apresenta a Ezequiel a responsabilidade do atalaia sobre os homens. SE é responsabilidade do homem se defender das flechas do inimigo e preparar-se devidamente para a batalha, é tarefa do atalaia avisar da aproximação do inimigo.

Quantos pastores simplesmente deixaram de ser atalaias porque avisar do mar de trevas que se aproxima é péssimo para alguém que quer apenas carregar boas notícias? Atalaias estão permitindo que soldados morram porque estão mais preocupados com suas posições eclesiásticas e sociais que com sua posição de submissão a Deus.

No entanto, o grande problema dos pregadores e líderes cristãos contemporâneos é o conceito de Salvação que têm. Pessoas salvas são aquelas que respondem ao apelo e começam a vir aos domingos, entregam seus dízimos e suas ofertas e eventualmente participam de algum ministério ou programação promovida pela igreja. Péssimo conceito a ser adotado. Pois no afã de aumentar seus números, sua arrecadação e junto com isso seu prestígio junto à comunidade evangélica, pastores barateiam o Evangelho. E como isso é feito? Separo em três pontos:

1º. Simplificação do Evangelho: simplificação aqui não é tornar a Palavra de fácil entendimento, isto seria e é pedagogicamente correto. Ensinar a Bíblia para um letrado e diferente de ensiná-la para um analfabeto, ou do ensinar a Palavra para uma criança ou adulto. Não é dessa simplificação. A simplificação que falo é a simplista. A Palavra perde todo seu teor poderoso para transformar o homem e é transformada em um ralé manual de “uma vida melhor” ou “uma vida vitoriosa”.

2º. Abandono do Ensino das Escrituras: se já tornou a Palavra apenas um adendo a todo tipo de programação antropocêntrica a que a igreja está mergulhada. Com tanto tempo dedicado a teatro, música, chá das senhoras, futebol, reunião dançante, almoço de casais, jantar de solteiros etc. O tempo dedicado ao Ensino das Escrituras é substituído por eventos que acredita o pastor, são mais fortes para segurar e atrair novos membros.

3º. Adoção de métodos de crescimento de igreja: Veja, uma coisa é você adotar um método de ensino da Palavra, como a EBD, ou de evangelismo, método de abordagem ou coisas do tipo, que podem ser uteis, principalmente para novos na Fé. Métodos para crescimento de igreja não são isso. Modelos como G12, M12 ou MDA, por exemplo, são métodos baseados em modelos administrativos que visam o crescimento da igreja unicamente pelo crescimento. A igreja (instituição) cresce, mas a igreja (noiva de Cristo), nem mesmo nasce nesses lugares. Crentes raquíticos e uma igreja fraca, resultado, grande rotatividade da membresia e elevado número de desviados ou “crentes carnais” (mais um dos absurdos conceituais da igreja contemporânea). Adotar um método de crescimento é um atestado de que este líder ou pastor não confia no poder sobrenatural da mesma Palavra que criou o Universo tem agora o poder para Salvar. Como está escrito em Jeremias 17.5: “"Maldito é o homem que confia nos homens...”, e isso inclui seus métodos para inchar igrejas.

Tenho uma teoria, é apenas uma teoria mas tenho bons argumentos para ela. Se uma igreja recebe muitas pessoas mas elas não conseguem ficar muito tempo sentadas nos seus bancos, é porque talvez não tenha sido gerada nenhuma Fé para Salvação em suas vidas. Elas podem estar bem alimentadas quanto a relacionamentos e ter uma vasta carta de programação para preencher o vazio de suas vidas pouco sociais por toda uma semana, quem sabe um mês.

Mas se os pastores dessas igrejas parassem para ouvir suas próprias pregações, talvez encontrassem o erro que tem transformado suas congregações em parada de ônibus e não em aprisco para ovelhas. "A Fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus (Romanos 10.17)... então talvez o que eles estejam ouvindo não seja a Palavra de Deus... e este é só um dos argumentos."


*anjos-pedreiros não existem, então se alguma denominação neopentecostal começar a utilizar este anjo para alguma coisa vou cobrar direitos autorais.

Publicado originalmente no blog Electus, em 10/03/2015

15.6.13

o que a Bíblia tem feito por você?

Acredito que quando você se converteu uma das primeiras providências que tomou foi comprar uma Bíblia. E desde então, o que ela tem feito por você? Sim. O que a Bíblia tem feito por você? Ela tem feito alguma diferença na sua vida? E ainda, o que você tem feito pela Palavra de Deus?

Não é nenhuma novidade, nenhum livro no mundo é tão vendido quanto a Bíblia. Editoras cristãs e seculares publicam Bíblias em modelos, versões e “invenções” diversas buscando um público que compra a capa mas não o conteúdo. Sim o livro mais traduzido e comprado no mundo é também os menos lidos em comparação ao volume de sua produção. Em 2011, uma pesquisa da Sociedade Bíblica Ibero Americana, apontou que quase 51% dos pastores evangélicos nunca leu a Bíblia por completo. A resposta dada por estes pastores é, acredito sem precisar promover nenhuma pesquisa, a mesma que continuamente usamos: “Não tenho tempo!”

Sim, é verdade que o trabalho, a esposa ou esposo, os filhos, as tarefas de casa, o jogo de futebol, a novela, a conversa fiada, o vídeo-game… veja, realmente algumas coisas tiram o seu tempo e não podem ser retiradas de sua vida, outras no entanto não só tiram seu tempo, mas também o desqualificam. É necessário qualificar o nosso tempo, não é um conselho meu, mas do apóstolo Paulo quando disse: aproveitem ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus. Portanto, não sejam insensatos, mas procurem compreender qual é a vontade do Senhor. (Efésios 5.16-17). Como você tem aproveitado seu tempo? Você tem um tempo de qualidade com o Senhor? Você tem buscado compreender a vontade do Senhor? Você tem feito alguma coisa pela Palavra de Deus?

A Bíblia se tornou um item de coleção para alguns, pois compram vários exemplares de Bíblias de Estudo como se o simples fato de os ter já o torne mestre. Para outros, não passa de um amuleto, colocam uma aberta nos Salmos sobre uma mesinha na sala, outra dentro do automóvel, outro na gaveta da sua mesa de trabalho, outra no quarto do bebê… o objetivo é tornar a Palavra de Deus um “santinho” igual ao que se compra em lojinhas de produtos religiosos. Sem uso a Bíblia não tem nenhum poder miraculoso, ela não é efetiva contra mau-olhado ou pesadelos, sem o Espírito para vivificá-la em você, ela não pode fazer nada. Alguns ainda a levam na igreja, com dificuldade encontram os livros e com tédio os leem juntamente com o pregador. Sim, a Bíblia parece ser tudo, até apoio para livros mais leves na estante, menos a Preciosa Palavra de Deus.

Vivendo um cristianismo antropocêntrico onde nós somos o centro da Vontade de Deus e não contrário, deturpamos a verdade de que a fidelidade Dele permanece independente da nossa infidelidade, mas esquecemos que se o negarmos, Ele também nos negará (2 Timóteo 2.12). Talvez você pense: “Eu não o nego, eu apenas não leio a Bíblia”. Bem, a própria Palavra afirma que isso é negar ao Senhor, pois vejamos o que nos diz as Escrituras.

No livro de Oséias, no capítulo 4, Deus fala por intermédio do profeta sobre a infidelidade, a falta de amor e de conhecimento da Lei do Senhor que cresce no meio do Seu povo. Deus claramente diz: Isto está desaparecendo do meio de vocês!

O texto que segue mostra a preocupação de Deus com Seu povo que pouco a pouco abandona a Aliança firmada com Ele em Abraão. Então chegamos no versículo 6 deste texto: Meu povo foi destruído por falta de conhecimento. “Uma vez que vocês rejeitaram o conhecimento, eu também os rejeito como meus sacerdotes; uma vez que vocês ignoraram a lei do seu Deus, eu também ignorarei seus filhos. (v.6)

Conhecimento aqui não é o muito estudo que você pode ter ou as muitas horas que passa assistindo o Discovery Channel. Não, o Conhecimento aqui é a própria Palavra de Deus e Sua Revelação, que para nós chegou deixando um imenso rastro de sangue derramado por pessoas que valorizaram este livro mais do que a sua própria vida, porque sabiam que nada podia ser mais precioso que a própria Palavra de Deus entregue aos homens, e assim como Cristo morreu por eles, eles morreram pela Sua Palavra, não como quem pagasse uma dívida, mas por compreenderem quem nem mesmo essa vida poderia ser maior do que aquilo que está preparado para aqueles que são chamados segundo o Seu propósito (Romanos 8.28).

Seu outro argumento pode ser o de que hoje vivemos em outra Aliança e não mais sobre a Lei de Moisés. Amados, a Aliança que temos firmado no Senhor procede da Fé, assim como a Aliança feita com Abraão, do qual Deus, antes da Lei disse: em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra (Gênesis 28.14). Abraão creu e nada lhe foi imposto em tábuas de pedra, pelo contrário o temor do Senhor lhe foi impresso no coração. Viver sob a Graça exige de nós algo muito mais profundo que uma lei escrita em tábuas de pedra, exige uma lei gravada no coração.

Por fim, Lembre-se sempre do fato de que em Deus não há sombra de mudança (Tiago 1.17). Por isso, é verdadeira a Palavra: Se o negarmos, ele também nos negará. (2 Timóteo 2.12)

Que o Espírito Santo do Senhor possa nos transformar a cada dia, levando-nos a amar a Sua Palavra.

Soli Deo Gloria

5.1.12

e aí! já colocou à prova a última pregação?

O título deste post deve doer na maioria dos tímpanos "santos e imaculados" de uma parcela realmente grande de auto-denominados evangélicos. Colocar a prova uma pregação? Como isso é possível? Como levantar a mão contra o ungido de deus?

Esse é o entendimento de um povo que têm sido acostumado a não ter a Palavra do Senhor como guia para suas vidas, mas sim, a interpretação que seu líder dispõe.

O apóstolo Paulo assim que saiu de Filipos foi para Beréia, lá encontrou uma comunidade cristã que o recebeu, e como o próprio apóstolo julgou, de forma muito mais nobre que os habitantes de Tessalônica. Vale lembrar que o acontecimento que antecedeu a chegada de Paulo e Silas a Beréia foi o grande agir de Deus que rompeu com as grades da prisão e conduziu o carcereiro e sua família aos pés de Cristo (algo certamente muito mais milagroso que o próprio terremoto).

O que Paulo havia considerado de tão nobre? As ofertas recebidas? A requintada casa de campo onde ficou hospedado? O magnifico templo contruído com mármore importado de península itálica? O cavalo de fina linhagem que lhe foi colocado a disposição para trafegar nas ruas de Beréia?

"Ora, estes foram mais nobres que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia na Escrituras se estas coisas eram assim." (Atos 17.11)

São essas as instruções que os pastores têm dado as suas ovelhas? Têm os pastores dito as suas ovelhas: confirmem se o que eu digo procede ou não da Palavra? Eles têm ensinado isto?

A falta de leitura da Palavra de Deus tem tornado a igreja progressivamente raquítica. Conheço pastores que nunca leram todo o texto sagrado, conheço líderes que aconselham liderados com Joyce Meyer ou Mike Murdock entre os dedos (não muda muito se você só estiver com John Piper ou Charles Spurgeon). Conheço ministros de louvores que citam letras de músicas como se elas fossem tão infalíveis quanto a Santa Palavra.

Essa cultura de ignorar a Palavra de Deus tem sido a grande brecha deixada pela igreja brasileira para a inserção das mais variadas heresias e desatinos na comunidade cristã. A idéia de uma vida conduzida pelo Espírito Santo, mas sem o conhecer, é ridícula, burra e louca.

Como você pode ler no texto bíblico (Atos capítulos 16 e 17), apesar de tudo que aconteceu com Paulo e Silas, ele não viu nenhuma agressividade, nenhuma presunção ou mesmo rebeldia na igreja de Beréia por estarem buscando nas escrituras se aquilo que diziam era verdadeiro ou não... ora, Paulo poderia ter dito: Não souberam do que aconteceu em Filipos? Não chegou a vossos ouvidos que as cadeias se rouperam? Não souberam que os magistrados temeram por terem açoitado cidadãos romanos? Quem vocês pensam que são para levantar a mão contra um apóstolo do Deus vivo?

Mas Paulo só diria isso se ele fosse um pastor ou apóstolo(?) contemporâneo. Se ele fosse como as centenas de homens e mulheres mal formados e informados, temerosos por seus cargos e sua liderança, medrosos por suas posições... sim, apenas se Paulo fosse um desses teria considerado o comportamento dos bereianos inconveniente e indesejado.

Assim, sempre que ouvires um pregação faça anotações, e o mais breve possível, verifique por si só na Palavra de nosso Senhor se aquilo é de fato tal qual foi pregado. Busque no Senhor, tenho certeza que o mesmo Espírito Santo que você muitas vezes espera que trabalhe no vazio, muito mais trabalhará em um coração disposto a conhecer mais de Sua Presença e Vontade.

Não questione a autoridade de seu pastor... questione a veracidade daquilo dito pelo homem.
Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim.
Atos 17:11
Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim.
Atos 17:11

3.10.11

a quem iremos nós?

Eles pedem conselhos a um ídolo de madeira, e de um pedaço de pau recebem resposta. Um espírito de prostituição os leva a desviar-se; eles são infiéis ao seu Deus.   Oséias 4.12 (NVI)

Para onde correm os desesperados que formam montões nos templos outrora cristãos e que hoje não passam, muitas vezes, de salas para tratamento paliativo da alma?

Não estariam correndo para os mesmos inúteis ídolos que tanto foram combatidos pelo santo evangelho de nosso Senhor e Salvador, por homens tementes a Deus?

Será que a igreja ainda busca no Comandante de nossas almas a Salvação, ou espera que um amuleto tocado por um homem "santo" e vendido por umas moedas sem valor eterno os possa livrar do mal de cada dia?

Lembro-me que quando era criança, punha a Bíblia sob o travesseiro, eu esperava que o livro me livrasse de pesadelos. Eu era uma criança, pensava como criança, agia como criança (1 Coríntios 13.11), mas hoje eliminei esse tipo de crença... não sou mais criança. Aquele que habita em mim reside em minha mente e Ele tem o controle de todas as coisas... durmo e levanto em paz pois o Senhor é minha segurança... é por isso que o salmista diz: Em paz também me deitarei e dormirei, porque só tu, SENHOR, me fazes habitar em segurança. (Salmos 4.8)


Lamentavelmente pastores, bispos e apóstolos(?) cercam-se de meninos e meninas na fé... pois é mais fácil preparar um leite tépido que um banquete... é menos oneroso regurgitar comida mastigada e apodrecida que cultivar vinhas, oliveiras e trigo para dar sustento ao povo de Deus.

Homens e mulheres "experimentados" ainda apegam-se a crendices... ainda colocam a Bíblia sob as cobertas esperando que o poder "mágico" dela as proteja... quanto a seu coração... não conhecem nem tem sede pelas mesmas palavras escrita neste santo livro.

Quanto a nós amados... sigamos o conselho verdadeiro revelado pelo Espírito Santo ao apóstolo Pedro: Para onde iremos nós Senhor? Tu tens as palavra de Vida Eterna. (João 6.68)

7.8.11

os inquisidores da teologia da prosperidade

Existe um grupo de pregadores showman que acusa apologistas de não crerem em nada. Lamentável... cremos mais do que eles imaginam. Cremos tanto na Palavra de Deus, amamos tanto o Deus que nos outorgou preciosas promessas, que sentimos verdadeiro asco de tudo que contraria a santidade nela expressa.

Acontece, que ainda que sem muito efeito nas massas... pois o acesso a serviços de internet e computadores no Brasil têm preços abusivos, diferente da televisão, que deve ser o terceiro ou quarto eletrodoméstico mais popular nas casas brasileiras... blogs e sites de conteúdo verdadeiramente cristãos, onde ensina-se a Palavra e prega-se um Evangelho bíblico, são terrivelmente prejudiciais à Teologia da Prosperidade e seus sacerdotes.

Para os "sacerdotes da prosperidade", cristianismo é seguir não a Palavra, ainda que de seus lábios profiram tal afirmação. Para eles, seguir o evangelho, é seguir suas determinações e ensinamentos... estar atento as suas profecias e visões... é andar seguindo os seus passos e não os de Cristo.

O movimento conhecido como Contra-Reforma, ocorrido em meados do século XVI, foi uma resposta da igreja romana à Reforma promovida por Martinho Lutero e outros reformadores. Entre suas providências, retomou o Tribunal do Santo Ofício, mais conhecido como Inquisição, e publicou a Index Librorum Prohibitorum (lista de livros proibidos) que vetava entre outras coisa... pasmem... a leitura da Bíblia.

A única publicação da Bíblia permitida era em latim. Uma língua de domínio apenas do alto clero (bispos, arcebispos e cardeais).

Agora parece, obviamente não de forma oficial, pelo menos um destes gospel-showman, deseja criar sua própria index, onde não são livros que ele proíbe, mas blogs e sites de pessoas e ministérios que, segundo ele, não tem história no evangelicalismo tupiniquim. Que são apenas críticos que não creem em nada e não "constroem nada". Quem sabe mais adiante, ele também inclua em sua lista Bíblias não publicadas por determinada editora ou que não são comentadas por determinado "profeta".

Eu realmente não tenho história no evangelicalismo brasileiro. Minha história, graças ao sangue vertido na cruz, não segue determinações e profecias deste mundo, mas segue o curso predeterminado por Deus em sua infinita misericórdia, amor e graça para comigo.

No mais, usando apenas parte da orientação que ouvi de um showman... "creia na Palavra de Deus"... mas apenas uma parte da orientação dele é excelente... o resto... foi egocentrismo.

4.2.11

incompatibilidade


Não é a primeira vez que escrevo sobre ecumenismo. Por isso quero deixar bem claro já no início do discurso. Não vou me referir ao movimento ecumênico, que tem origem no próprio protestantismo. Vou utilizar o termo ecumenismo num sentido bastante amplo. União de religiosidades ou instituições religiosas de "fés" opostas.

Não muito tempo atrás, seguindo a cartilha do mercado de consumo, uma pastora e um padre estiveram no programa de maior audiência da moralmente decadente tv brasileira. enquanto promoviam seus "ministérios" e CDs, assisti um (que vou considerar em respeito a pastora) grande ato falho de um cristão em rede nacional. Se fora da grande mídia, cristãos são apedrejados, mutilados e queimados vivos por não negarem ao evangelho. Em cadeia nacional, no canal mais visto pelos brasileiros, uma pastora (a quem considero minha irmã em Cristo), não fez distinção entre trevas e Luz. Pelo contrário, produziu um novo pensamento em uma teologia pseudo-cristã:

"Cada um anda na luz que tem"
... disse ela.

Preciso, antes de continuar, explicar minha posição a respeito da amizade entre cristãos e católicos, cristãos e muçulmanos, hindus, budistas ou qualquer outro que professe um evangelho diferente daquele pregado por Cristo e seus apóstolos.

Creio, de todo coração, ser possível existir amizade entre pessoas que pensam, agem e fazem construções de mundo antagônicas. Primeiro, independente do credo, TODOS pecaram e destituídos estão da Glória de Deus. Segundo, não importa se é em Jerusalém, em Samaria ou em Nínive, homens e mulheres aguardam as boas novas do Evangelho. Terceiro, não existe mais distinção entre senhor, escravo, livre, grego ou bárbaro... Cristo é tudo em todos.

Deste modo, cristãos não são a melhor classe de pessoas sobre a face da terra... pelo contrário, se cremos nas palavras de Cristo, e certamente cremos: "De todos sereis odiados por causa do meu nome." (Lucas 21.17)

Logo, a questão não é obviamente o padre. Pois ele, dentro dos conceitos do homem de bondade, misericórdia e amor, é muito estimado. A questão é quem ele representa e o que ele prega.

Sei que a referida pastora não acredita existirem várias "luzes", mas sim, que há apenas uma Luz. O resto, são trevas. Não existem "muitas" luzes, como não há outros deuses. Existe um único Deus... uma única luz.

O cristianismo contemporâneo tem se perdido nas ideologias e no pensamento pós-moderno. Como resultado da intolerância do século XX, como dos fascismos europeus, do socialismo e dos regimes militares de direita, a misericórdia de Jesus demonstrada pela adúltera (João 8) passou a ser vista como tolerância. O amor demonstrado por Cristo ali, agora é visto como aceitação.

Ora, foi uma simples aplicação do "misericórdia quero, não holocaustos" (Mateus 12.7). Mas em nenhum momento ele demonstrou tolerância ao pecado daquela mulher. Ou não teria dito: "não peques mais". Sim, ele considerou ser um pecado o adultério, não, ele não a condenou, ele a absolveu... e não, ele não foi tolerante com o pecado... a este, ele condenou... "não peques mais".  E não, ele não aceitou que ela permanecesse naquele estado... mas ele radicalmente a transformou... pois ela estava morta, e lhe foi dada a vida.

Não devemos ser tolerantes com os erros. Não devemos deixar de admoestar. E por fim, não devemos colocar o homem no lugar de Deus. Antes de pecar contra Aquele que tem o poder sobre nossas almas, deveríamos considerar nos opor aos que só podem tocar nossa carne. Pois não serão estes últimos a nos julgar, mas o Primeiro.

Portanto, um púlpito consagrado a Deus não pode ser dividido com alguém que serve a outro deus... ou que evoca mortos por intermédio de estátuas mudas. Um ministério forte não é aquele que arrebanha milhares e milhares em torno de sua cidadela, mas aquele que mantem-se integro até a volta de nosso Senhor.

Ainda que criados pelo mesmo Deus... somos absolutamente incompatíveis nas coisas espirituais.

"Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade;" (Isaías 5.20)


Soli Deo Gloria

13.11.10

paul david washer


Ouvi esse pregação há uns 2 anos. Mudou alguns conceitos meus... me serviu para muita coisa... a Palavra nela contida, pelo Espírito, transformou alguns de meus paradigmas. Não creio que ela tenha a mesma influência sobre todos, mas é uma bela exposição da Palavra e crítica ao cristianismo contemporâneo, caído e sem forças para se levantar.

Soli Deo Gloria

21.9.10

sobre quebra de maldições

Aqui no Rio Grande do Sul, ontem, 20 de setembro, comemorou-se a Revolução Farroupilha. Evento separatista e bélico que pretendia uma república no então Império do Brasil.

Não é um feriado qualquer aqui no Rio Grande. Não é porque sou gaúcho (até porque passei mais tempo da minha vida bem longe daqui), mas poucos estados cultuam tanto sua própria terra. Alguns gaúchos ainda vêem o Rio Grande como outro país. Em jogos de futebol, depois do hino nacional, canta-se o hino do Rio Grande e lhes garanto, os torcedores da dupla grenal conhecem mais este hino que o Nacional, e o cantam com a mão sobre o coração... é um culto à pátria gaúcha.

Mas não é sobre essa idolatria praticada por aqui que desejo comentar... sim, apenas um breve comentário... para não deixar passar em branco a data. Mas sobre a tão contraditória e anti-bíblica, "quebra de maldições hereditárias". As "maldições" que nunca são quebradas, mas mantém sob rédeas de escravidão seus seguidores.

Ontem várias igrejas de Porto Alegre e do interior do Estado fizeram cultos de "quebra de maldições hereditárias". Entre os pedidos... perdão pelos pecados cometidos pelos farrapos, pelo sangue derramado na campanha gaúcha e pela rebeldia contra o governo imperial.

Irmãos meus. Onde encontramos na Bíblia respaldo para tamanho dislate teológico? Que fundamento temos no Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo para este desvio?

Primeiramente, não estou dizendo que ao nos convertermos não precisamos pedir perdão por toda nossa vida de pecado... cristianismo é isso mesmo... arrependimento, quebrar toda maldição do pecado sobre nós... mas não somos nós que a quebramos, foi Cristo quem a quebrou na Cruz... o pecado não tem mais domínio sobre nós, pois onde antes abundava o pecado agora superabunda a Graça (Rm 5.20; 6.14)... então porque comete-se esse tipo de abominação nos cultos que deviam ser solenidades de ação de graça?

Não estou dizendo que por 10 anos do século XIX não foi derramado muito sangue neste lugar... as guerras que aconteceram no Rio Grande do Sul sempre foram eivadas de um sadismo peculiar... mas como eu posso pedir perdão pelo que meu "tataravô" fez? Não era ele o responsável pelo seu próprio pecado?  Caíra sobre mim as faltas dele? Tenho eu alguma responsabilidade pelo pecado de meu pai? Já não tenho comigo a "suficiente" recompensa do pecado de Adão?

Na carta aos Romanos, no capítulo 14, o apóstolo Paulo afirma que "todo joelho se dobrará" e que cada um "dará contas de si mesmo a Deus".

Se isso não fosse suficiente. Vamos para a obra da cruz. Ela já não foi consumada? Precisamos fazer "novos atos libertários"?

Não bastaria apenas um "ato profético"? Não seria necessária apenas uma "quebra de maldição"? Porque então ano após ano essa alucinação gospel é praticada? A "quebra" do ano passado se refez? Uniu-se novamente a ligadura? Lutaram novamente na pampa os fantasmas farroupilhas?

Em provérbios dois versos nos mostram claramente a maldição na perspectiva bíblica.

"A maldição do Senhor habita na casa do perverso, porém a morada dos justos Ele abençoa." (Pv 3.33)

"Como o pássaro que foge, como a andorinha no seu vôo, assim, a maldição sem causa não se cumpre." (Pv 26.2)

Não abençoa o Senhor o justo? Pode ser um servo do Altíssimo maldito? Que causa damos à maldição? Não fomos resgatados e justificados pelo Sangue do Cordeiro?

Esse é o cristianismo evangélico brasileiro... não consegue nem mesmo se explicar... não entende das coisas naturais e julga ser erudito nas espirituais... perde-se em seu próprio discurso. Seu conteúdo bíblico é sofrível mas farta-se de revelações extra-bíblicas e de moveres espirituais estranhos.

Maranata Jesus!

15.9.10

o que o Senhor tem a nos dizer?

A Igreja do Senhor, enquanto aqui no mundo, sempre enfrentará desafios, sejam esses de natureza espiritual, sejam de natureza material ou terrena, hoje está posto o cristianismo virtual.  Tal desafio, em parte, advém da nova realidade  criada pelo progresso tão necessário da tecnologia. E com ela o novo conceito de distância - virtual - impôs à Igreja local uma revisão de seus métodos de ação. Pois o que garantira pelos séculos certa harmonia doutrinária, o espaço geográfico, foi alterado completamente.

Essa realidade de então possibilitava a seletividade da fonte doutrinária, o que conferia à igreja a autoridade necessária para proclamar todos os desígnios do Senhor sob sua ótica denominacional mediante textos sagrados e consagrados. 

O surgimento de tendências doutrinárias divergentes era tratado com a firmeza necessária para impedir as heresias e manter a igreja pura. 

Era incomum a fusão doutrinária, o ecumenismo era apenas uma intenção papista que rondava o arraial dos santos.

Sabíamos que o Premilenismo em meio Reformado era heresia, bem como, o Amilenismo junto aos Batistas. Assim caminhou a Igreja, com bastante clareza doutrinária. 

Afirmo que isso, por si só, não era o selo da verdade, mas tal realidade colocava arreios contra a babel doutrinária, trazendo as Escrituras para centro de toda discussão a respeito de Deus, minimizando as influências das trevas.

Os crentes, de forma geral, sabiam explicar a razão de sua esperança. Isso possibilitava o ensino, a disciplina, a orientação, a identificação dos desvios. Os erros eram isolados e a capacidade crítica tinha mais qualidade, a transigência era pecado. Desta feita, havia pouquíssima contaminação pelos ventos doutrinários, que sempre bateram contra a Igreja do Senhor. Havia uma relação de fidelidade doutrinária entre os membros e suas igrejas - denominações.

As Escrituras eram o juiz para toda questão, por elas identificam-se as novidades sopradas pelos psicologismos, filosofismos,  humanismos – pensadores livres, todos  profetas ecumênicos.

Com o advento do mundo virtual - a rede, a TV, e outras mídias – essa realidade fragilizou-se de forma irreversível. 


A proximidade que o mundo virtual possibilita não veio em defesa do Santo, das Escrituras. Quebraram-se os vínculos doutrinários entre os membros e as Igrejas; entre as Igrejas e suas denominações. A autonomia virou regra, a sabedoria humana logrou sucesso e passou a ser guia da verdade.  Com ela veio
 a danosa tendência da "teologia self-service", onde cada um, em sua disposição pessoal, recolhe, ou não, fragmentos das Escrituras, junta com opiniões dos quatro ventos e pronto: apresenta “seu conceito” doutrinário e espalha-o por todo o mundo. 

A nova mente virtual assume que quanto mais tradicional os conceitos, mas escusos parecem, mais dignos de ser escorchados serão. A tendência de quebra de paradigmas tomou conta da mente evangélica, podemos perceber que estamos em meio à insurgência teológica – doutrinária. Criando um novo e livre cristianismo.

É possível encontrar presbiterianos que são arminianistas, wesleyanos calvinistas, batistas amilenistas, aniquilacionistas que se dizem crentes, salvação sem evangelho, sem Cristo, sem sangue etc.

Adicionando a isso surgiram homens-igrejas. Hereges que em si mesmos são a doutrina, a devoção, referência a verdade. Esses trouxeram novas filosofias de trabalho, novas metas religiosas, criaram "os propósitos" para completa confusão do corpo de Cristo. Dentre eles, Caio Fábio, Malafaia, Edir Macedo, RR Soares, Rodovalho, Santiago e uma legião de doutrinadores, cujo ponto comum é a má ou nenhuma formação teológica. Além de promoverem o engano em larga escala, influenciam e quebram os conceitos e práticas das pequenas denominações.

Os membros das denominações tradicionais ficam hoje divididos entre os “radicais” e os “renovados”, estes voltados para o mundo e aqueles, pequena minoria, lutando pela fé que foi entregue aos santos. É profético, os renovados tomarão - se é que não já tomaram -  conta da Igreja - A Apostasia.

As doutrinas bíblicas foram substituídas pelo pragmatismo social, e conseqüente ânsia pelo poder, que transformará a Igreja em um mero agente social para entretenimento e lazer, com suporte político partidário. 


O ecumenismo romanista travestido de modelo cristão, é a proposta evangélica. 
Tenho lido elogios a padres, exaltação a hereges, posts de ímpios em meio ao arraial.

As igrejas locais estão sem referência para combater esse novo desafio. Muitas reagirão sob a mesma batuta e se renovarão, e algumas, as poucas que têm lutado para manter a doutrina, definharão do ponto de vista humano.  O catolicismo sem imagens seguirá vitorioso por meio desta geração ambiciosa e permissiva, conforme está determinado.
O que o Senhor tem a dizer aos seus santos?
não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça. (Is 41:10)
A ele honra e louvor e glória para todo o sempre.

Paulo Brasil é um habitante de Manaus, que não freqüenta nem segue os ensinos adulterados dos gedozistas que habitam a mesma região. Ele publica seus textos reformados em seu próprio blog: Através das Escrituras.

9.9.10

estereótipos VI


A todos os blogueiros cristãos que não se curvam a outro deus. Mas que sabem usar um teclado "ABNT2" e um editor de textos para combater (com ou sem trema) à deusa Iniqüidade que invade o seio da igreja cristã brasileira em nossos tempos.

Se alguém não foi citado diretamente, perdoe, por favor, a pouca criatividade do blogueiro. Como sempre me dizem. Como escritor e desenhista, sou um ótimo jogador de gamão.

A propósito. Nunca joguei gamão.

25.8.10

cortando o próprio galho


Não temos outro ponto de sustentação para nossa fé senão a Palavra de Deus. Escrita por profetas e apóstolos inspirados pelo Espírito Santo ela é o alicerce palpável e visível do que cremos. Uma única verdade manifesta na doutrina neotestamentária.

Quando o Senhor me levou a conhecer a doutrina da graça também ensinou-me a provar a palavra pregada:

Agrada ao homem caído? Então desagrada a Deus.

Isso não serve para qualquer um. Não é aceitável aos arminianos, aos pregadores da teologia relacional ou liberais. É compreensível apenas aqueles que foram convencidos pela doutrina da graça, o verdadeiro evangelho de nosso Senhor.

Veja. Não estou em hipótese alguma afirmando que a palavra quando pregada deve ser amarga ou preparada com tamanho desgosto que torne impossível ao homem natural ouvi-la. Também não afirmo que ela deve ser melada com doce mundano para que possa ser devorada por pessoas carnais. Estou dizendo que a Palavra verdadeira, uma lúcida exposição da doutrina, não importando a maneira que ela chegue ao ouvido da mente caída, sem interferência do Espírito Santo será sempre rejeitada pois essa é a natureza do homem.

A verdade implicita na pregação pós-moderna é de que para que o homem carnal aceite a palavra de Deus necessário é que ela seja parcial. Necessário é que seja comprometida, não com Deus, mas com o homem. O papel de Deus é de mero coadjuvante numa trama escrita por homens. Para escrever esta história algumas técnicas básicas para produção são empregadas.

1. PALAVRA DE DEUS COMO APOIO E NÃO FUNDAMENTO: a Palavra de Deus (Bíblia), o livro sagrado, torna-se uma coletânea de exemplos morais e experiências pessoais que servem como pano de fundo para novos enredos. Nesses novos enredos são produzidas histórias com algum "sentido" para o homem.

2. PREGAÇÃO COMPROMETIDA COM O HOMEM: as pregações tornam-se relevantes ao homem não naquilo que ele precisa, mas naquilo que ele quer. O homem precisa de Deus mas não deseja arrepender-se. Prega-se um Deus sem o arrependimento, um caminho fácil de se percorrer e um evangelho desfigurado. Enfim, procura-se agradar ao homem. Ele sai satisfeito, sem compromisso, não ofendido pelo evangelho e volta no próximo final de semana.

3. VERDADE RELATIVA: quando a Palavra de Deus é relativizada ela perde seu poder. Exposta parcialmente ela não tem poder de transformar o homem. Como subterfúgio cria-se uma vasta literatura de apoio que parece preencher as "lacunas" deixadas pela Palavra de Deus. Na verdade, são band-aids sobre um tórax aberto. A Palavra deixa de ser uma verdade para ser muitas verdades dependendo do ponto de vista do homem.

4. QUESTIONAMENTO E NEGAÇÃO DA VERDADE: costumo considerar esse erro como cortar o galho onde se está sentado. Semelhante a verdade parcial, é no entanto um passo adiante. Aqui não se encobre a doutrina para que ela não ofenda o homem, ela é sim deliberadamente expurgada para dar lugar a uma visão carnal da justiça e amor de Deus.

A Palavra que não confronta o homem lhe agrada. Ela entra em seu interior e não produz nada senão uma temporária sensação de satisfação. Ele se sente perdoado sem entender perdão. Sente-se amado quando na verdade teve apenas seu ego massageado. Iludido por uma sociedade que não lhe exige compromisso encontra nesse tipo de evangelho sua salvação. Ela não precisa ter uma aliança, ele não precisa dizer sim... ele apenas fica. Seu relacionamento é superficial. Ele nada tem a oferecer e não se importa de estar nessa situação. Sente-se bem. Isto basta.

Igrejas estão apinhadas de pessoas assim. Mentes carnais que encontraram na igreja um clube social. Elas não são confrontadas à mudança, a palavra que lhes chega aos ouvidos é insípida. Trata de assuntos tão triviais quanto qualquer programa de tv à cabo. São sempre os mesmos versículos distorcidos e tirados do seu contexto. São sempre as mesmas músicas antropocêntricas. São sempre os mesmos apelos para uma salvação temporária e para um perdão com prazo de validade.

Pregadores estão literalmente minando o único alicerce do Evangelho. Ao tornar a Palavra de Deus um livro que apenas pode ser "traduzido" por homens habéis em inventar histórias destróem a própria fé. Cortam o galho onde estão sentados.

21.7.10

nem todo aquele que diz Senhor...

Essa semana li que o Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil, considerou a IURD e a IMPD, seitas, e necessário é, que pessoas oriundas dessas denominações sejam rebatizadas e façam profissão de fé. Louvável o posicionamento da IPB. Há muito tempo se espera, pelo menos das grandes denominações evangélicas do Brasil, a definição do que é, e do que não é, CRISTIANISMO. A Bíblia já define bem, mas é preciso ensinar nos púlpitos. O povo cristão tem sede de ensino e exposição bíblica, algo raro até nos mais "sinceros" púlpitos deste país.

Como podemos considerar pastor cristão, alguém que não prega o Evangelho da Cruz? Como podemos considerar cristianismo algo tão contrastante com os ensinos bíblicos? Podemos considerar cristianismo algo, pelo simples fato de "crer" na Bíblia ou fazer uso dela no rito?

As grandes corporações que pregam a teologia da prosperidade, que incluem promessas de riqueza, saúde, bons relacionamentos, cura interior, libertação de demônios etc...  não pregam uma coisa: a Cruz. Não o principal, mas o ÚNICO meio para a Salvação do homem. Para nós que cremos no Evangelho, trilhar os caminhos da prosperidade humana a qualquer custo tem um único fim, o inferno, lugar que caiu em desprestígio nessas denominações, que publicamente não o negam, mas o expurgam das pregações para serem continuamente agradáveis a seus clientes.

Constantemente escuto a frase: lá é um pronto-socorro! Em outras épocas eu diria... ok! Pode ser... mas meu posicionamento hoje no entanto é outro. Primeiro eu pergunto: Por quê? Quem vai lá vai atrás de quê? Falta de dinheiro, saúde, casamento arruinado? É bastante provável que a resposta se encaixe nesses quesitos ou em outros bastantes semelhantes. Creio também, que a maioria dos verdadeiramente salvos também respondem algo bem parecido. Ai faço a segunda pergunta: Não são estes desesperados, os mesmos que já foram aos centros de umbana, "tiraram" cartas e consultaram os búzios e agora estão atrás de mais uma opinião? O impressionante é que muitos se encaixam aqui também. Chego então a uma última pergunta: Cristo: Salvador ou Solução? E a resposta é sempre a mesma: SOLUÇÃO. É aqui que diferenciamos os salvos dos não salvos.

Não buscam um salvador, buscam uma solução para satisfação de suas almas. Buscam desde um emprego a um carro novo... buscam da cura da filha soropositivo à aprovação em um concurso público... buscam de tudo... menos a Cristo... Como alguém assim pode ser considerado cristão? Como uma igreja que doutrina seus membros dessa forma pode ser cristã? Como pode alguém que odeia a cruz e não entende o seu significado ser declarado salvo? Basta "sinceridade" para alguém ser salvo?

Já é hora de pastores que pregam o verdadeiro Evangelho de Cristo condenarem esse ensino de demônios que prega de tudo, de psicologia barata à atitude positiva, mas nega o principal: a Palavra de Deus. Que distorcem a Palavra e deleitam-se em fábulas. Igrejas pastoreadas por lobos vorazes que cerram a porta dos céus impedindo que outros entrem, prometendo um céu na terra que nunca existirá.

Que este concílio da IPB possa ser um primeiro brado entre muitos outros contra as corporações da "salvação por obras", que rejeitam o sacrifício da cruz em troca de sacrifício financeiro. Que viram as costas à Cruz e voltam-se para o deus riqueza.

18.7.10

anotações - I

- A Igreja Presbiteriana do Brasil, em seu último Supremo Concílio, realizado em Curitiba, passou a considerar como seitas, a Igreja Universal e a Igreja Mundial. Pessoas oriundas dessas duas denominações precisam ser batizadas e fazer profissão de fé (informação dada pelo pr. Augustus Nicodemos em seu blog). Não sou presbiteriano, nem nunca frequentei um templo presbiteriano, mas aprovo e elogio a atitude deste concílio. Tais denominações passam ao largo do que biblicamente se pode considerar cristianismo, nada mais correto do que considerar aqueles que por anos se sujeitam a essas doutrinas, e crêem nelas, não cristãos. Quando saem de lá, é porque realmente se converteram e entenderam o Evagelho da Cruz. Ou apenas não conseguiram aquilo que queriam e agora estão procurando um novo pajé, vai saber...

- Comecei a ler o livro Com Vergonha do Evangelho, do pr. John MacArthur. Anotei duas frases, a primeira de Charles Spurgeon, que o autor utilizou para introduzir o prefácio de seu título:

A apatia está por toda a parte. Ninguém se preocupa em verificar se o que está sendo pregado é verdadeiro ou falso. Um sermão é um sermão, não importa o assunto; só que, quanto mais curto, melhor.

A segunda frase é do próprio John MacArthur:

O entretenimento está rapidamente se tornando a liturgia da igreja pragmática.(...) Sutilmente, em vez de uma vida transformada, é a aceitação por parte do mundo e a quantidade de pessoas presentes aos cultos que vem se tornando o alvo maior da igreja contemporânea.

Uma boa semana...

16.7.10

em magia e em falso poder

Quero antes de mais nada explicar a ilustração deste texto. Não se trata de um chiste com aqueles que um dia tiveram uma experiência real e genuína no Espírito Santo. Ainda que com ressalvas (não vou escrever sobre isso agora), creio na continuidade dos dons espirituais neotestamentários. A imagem é direcionada aos falsos profetas e para aqueles que, os seguindo, recebem o juizo de Deus por o negarem em troca de alguma coisa que possam ganhar por intermédio da religião. Um bom vídeo explicativo desse meu pensamento poder ser visto nesta pregação legendada do pr. Paul Washer (clique aqui).

Alguns anos atrás presenciei em um evento gospel no interior do Rio Grande do Sul, um pastor, de cabelhos grisalhos e barriga bastante saliente, engatinhando pela igreja e imitando, ou tentando imitar (lhe faltavam juba, rabo e garras), um leão. Num outro canto do ginásio, uma menina que aparentava não ter ainda 20 anos, corria balançando os braços e grasnando como uma águia... ou caturrita, não sei bem, outros tantos jovens e velhos imitavam diferentes animais ou coisas, tudo muito difícil de crer é verdade, mas mais difícil de crer hoje quando olho para aquele dia, depois de ter conhecido o Evangelho que liberta. Foi naquele mesmo culto que ouvi pela primeira vez a recomendação clichê do que "ministrava": - Se você não está entendendo o que está acontecendo, fique em "espírito", mas não rejeite as obras do "espírito".

A grande mentira destes "ministros" tem sido essa: "Não rejeitem as obras do espírito!" Ok, não rejeitarei... quer dizer, se eu souber que espírito é esse.

Recentemente um super-mega-hiper-supimpa-azul pregador da prosperidade esteve em Porto Alegre. Ele e seu casaco-maravilha, o único capaz de fazer uma multidão ser derrubada e depois posta novamente em pé e depois derrubada novamente... mas tudo isso com que propósito? Qual o propósito de derrubar alguém jogando-lhe um casaco e depois solicitar que coloquem essa pessoa em pé para mais uma vez derrubá-la e repetir essa ação por várias e várias vezes... Qual o propósito? Mostrar que ele é deus? Mostrar que ele tem o controle da situação? Mostrar que seu casaco tem poder?

O que entendo com tudo isso? Pois bem, com o tempo que tenho de igreja, não de cristão, mas de igreja, muito presenciei e confesso que muitas vezes fui literalmente arrastado por esses tufões de doutrina e algumas centenas de vezes enganado por fábulas medonhas como essas duas que supracitei. O motivo? Um só: nós humanos adoramos a mentira e o faz-de-conta, pois fomos gerados em pecado e originalmente somos filhos daquele que é pai da mentira, e nos satisfaz agradar nosso pai.

Bendito por isso seja o Deus de toda Glória que nos escolheu, salvando-nos da morte e nos dando o poder de sermos chamados seus filhos.

Quando vejo milhares de pessoas cercando pessoas como Hinn, Malafaia, Feliciano ou a trupe Valadão, pergunto-me o por quê? A resposta que consigo formular é apenas essa: Eles buscam naquela pessoa algo que eles não acreditam que Deus lhes possa dar, mas aquela pessoa sim.

Nesse desejo de receberem aquilo que essas pessoas aparentemente receberam: fama, dinheiro, beleza(?), unção etc., aceitam todo tipo de invenção doutrinária que parta da boca desses mestres pois desejam ser iguais a eles, desejam ter o que eles possuem, desejam ser eles. O homem que não adoece pode ser um bom curador de doenças, a jovem que tem "unção" no cantar pode ungir minha voz, o profeta que planta dinheiro e faz crescer "pé de moedinha" pode ser minha solução financeira... e Jesus, onde entra Jesus numa vida dessas?

Cristo não está em nada disso. Deus, em todo o tempo se faz presente ali apenas para derramar o seu juizo sobre aqueles que decidiram curvar-se ante um ídolo-homem, um super-crente que diz ser capaz de fazer Deus descer do céu para atender os pedidos de seu corrupto coração.

Se Cristo, homem sem pecados e fazendo milagres por onde passava, foi rejeitado e crucificado, como esses pecadores e mortos em seus pecados ajuntam milhões ao seu redor que os proclamam santos? Como pode ter sido Paulo apedrejado e condenado à morte enquanto Benny Hinn é idolatrado como deus? Como pode Pedro ter sido, conforme a tradição cristã, crucificado, e Estevam Hernandes, condenado à prisão justamente ainda receber homenagens em cidades do Brasil, mesmo sem  nunca ter se arrependido publicamente de seus delitos, e é necessário que ele faça isso publicamente pois ele mesmo adora exorcizar pessoas publicamente em seus cultos e ele mesmo é um homem público. Como pode Tiago ter sido martirizado e hoje Murdock é tido por essa gente como o homem mais sábio do mundo? Como isso pode ser do Espírito?

Como pode alguém rastejando como um animal, quadrupede, não criado a semelhança de Deus, sem Espírito, irracional... como isso pode ser considerado do Espírito? Com que propósito?

É indecente o que acontece nas igrejas. Nesse tipo de cristianismo (se podemos chamar de cristianismo), o lugar construído para ajuntamento solene, para adoração e louvor daquele que é sobre tudo e todos tornou-se em muitos lugares (em quase todos os grandes lugares), palco de magia barata e sensacionalismo religioso. O gazofilácio deixou de ser o lugar das ofertas dos santos para manutenção da igreja, para ser o saco furado desses que nunca dizem basta para seus luxos. A oração deixou de ser o meio de um relacionamento íntimo do homem com Deus, para tornar-se uma via de mão única e exclusiva daqueles que têm "acesso" a Deus.

Mas o fim destes é o inferno. Seus frutos são maus e em seu caminhar derramam sangue. (Rm 3.11-18)

Deus tenha misericórdia de nós. Maranata Jesus.

por Daniel Clós Cesar

13.7.10

ecumenismo: isso presta?


Podemos aceitar o ecumenismo, a "união" de diferentes credos em prol de um mundo "melhor"? Pode haver comunhão entre luz e trevas? (2 Co 6.14)

Quero para ilustrar este texto (além do desenho acima) escrever o que o apóstolo Paulo enviou em carta à igreja de Éfeso: E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as. (5.11)

Deixando para outra ocasião o ecumenismo gospel, quero tratar do ecumenismo "inter-religioso". Quando evangélicos associam-se a católicos e judeus para eventos ecumênicos. Onde a palavra de todos tem o "mesmo peso", onde todos são "iguais".

O que há de mal nisso?

Tudo! Tudo mesmo...

Vamos começar pelos judeus. Estes no momento são a menina dos olhos de muitos movimentos neopentecostais no Brasil. As práticas do Antigo Testamento tornaram-se tão importantes, em alguns casos mais importantes, que o próprio sacrifício de Cristo. Centenas de igrejas (centenas, não meia dúzia de três ou quatro), fazem cursos e seminários ensinando doutrina judaica, seguem o calendário de festas da lei mosaica e incluem em seus cultos símbolos judeus por todos os cantos e momentos de sua liturgia, que vão desde miniaturas de menorá até replicas em tamanho real da arca, incluíndo pastores pregando com o talit sob seus ombros ou sua cabeça.

Mas o que Jesus disse aos rabinos de seu tempo? Não vou escrever aqui, todo mundo sabe o que ele disse... Por acaso eles mudaram de opinião com o passar dos anos? Os rabinos de hoje passaram a crer que Cristo é o Messias? O Novo Testamento é aceito por eles como Palavra de Deus?

Agora e quanto aos católicos. Aqui o ecumenismo segue um outro rumo, muito mais comercial eu diria. Cantores mineiros, por exemplo, adoram cantar músicas de padres e padres gostam muito de cantar música de cantores mineiros (assim expande-se o mercado). Mas a quem mesmo os católicos consideram mediador entre os homens e Deus? Algum evangélico por acaso não sabe? A quem o senhor Ratzinger considera cristão... melhor, a quem o clero católico romano considera como única "Igreja de Cristo"?

Talvez você pense isso: que desejo a morte de todos os que não são cristãos e que devemos iniciar uma jihad gospel contra estas hostes do maligno.

Mas não, eu certamente não penso em tal coisa. Cristo é amor, aqueles que vivem sob sua graça amam. No entanto, o "amor" humano não é justificativa para distorção da Verdade e do Evangelho de Cristo.

Quando falo NÃO ao ecumenismo inter-religioso não falo de amizade saudável e restrita (nem todo lugar que um espírita vai, por exemplo, o crente pode ir... acho que isso é bem claro para cristãos, caso contrário aconselho que você busque tratamento) ou entre católicos e evangélicos, judeus e evangélicos, espíritas e evangélicos... "qualquer coisa" e evangélicos. Vivemos no mundo, Deus ainda não nos tirou daqui... no entanto, devemos nos manter incontaminados. E não me venham com papos pós-modernos-emergentes de que tudo é santo, tudo é espiritual. Não meus irmãos. Nem tudo é espiritual... nem tudo é santo.

Neste mover ecumênico que recebeu forte incentivo na última década, são os cristãos evangélicos e protestantes, reformados e pentecostais, arminianos e calvinistas, que estão no lado mais fraco da corda... Por quê? Porque são os únicos que parecem estar mais dispostos a abrir mão da Verdade Bíblica em prol dessa unicidade. Eu não vejo o Vaticano abrindo mão de sua posição de única igreja de Cristo... os abraços e tapinhas nas costas entre o Papa da igreja romana e o Patriarca da igreja ortodoxa não passam de mera figuração. Eu não vejo os rabinos de Jerusalém endossando o cristianismo como uma religião, continuam a considerá-la uma seita que crê num messias que ainda não veio.

No entanto, evangélicos contratam e convidam rabinos para ensinar o Antigo Testamento como se eles o conhecessem melhor do que nós, como se já não tivéssemos nós um rabino... O Rabino. Dúvida que nós conhecemos o AT melhor do que eles? Explique-me então porque eles ainda não encontraram Cristo em suas extenuantes leituras da Lei mas nós já? Quanto ao comportamento de evangélicos com padres a regra é: não condene a idolatria, não condene a salvação por obras... abrace-os, ame-os, são filhos de Deus... Tolos! Somente aqueles nascidos em Cristo são novas criaturas e recebem o poder de serem chamados filhos de Deus. E isso inclui eu e você, católicos e judeus... nada que não é nascido de Cristo é filho de Deus... como podemos então cultuar um único Deus se cada um tem o seu próprio? A que deus iremos cultuar?

Enfim. Pregue-se o evangelho para judeus e católicos, para que eles se convertam e conheçam a Verdade que liberta, longe de suas práticas de idolatria e da cegueira espiritual... mas não dividamos o púlpito com eles... não nos pertence este tipo de altar. Dividir a Palavra com eles é dar razão à seu culto e à seu deus, que certamente não é o nosso... é parecido em "obras e história" mas não é em Poder e Graça.

por Daniel Clós Cesar

8.7.10

e fez um chicote de cordas e entrou na livraria evangélica...


Eu gosto de ir à livraria evangélica. Ou pelo menos gostava.

Moro em Porto Alegre, que apesar de ser uma capital é relativamente "fraca" neste tipo de serviço. Não que não tenhamos muitas livrarias evangélicas, mas sim pelo fato de ou serem denominacionais ou shoppings da carnalidade gospel.

Lembro-me ainda quando era criança e ia com minha irmã mais velha à única livraria portoalegrense. Lá encontrava-se basicamente: LPs da gravadora Som e Louvores, livros da Cpad e Juerp e material de apoio a professores de escola dominical produzidos pela Apec; uns três ou quatro "tipos" de Bíblia que podiam ser classificadas em: com harpa ou sem harpa, com fecho ou sem fecho, borda vermelha ou borda dourada, capa macia ou capa dura, corrigida ou revisada. Não tinha muito mais que isso. Talvez os marcadores de Bíblia do Smilingüido (que com o novo acordo ortográfico tornou-se Smilinguido).

Era o Centro de Literatura Cristã, a mesma livraria que em 1993 suspendeu a venda dos produtos da igreja Voz da Verdade até que ela se explicasse sobre seus louvores a deuses estranhos e a disseminação da heresia unicista (clique aqui para ler matéria). Os preços não eram módicos, em parte, porque a procura era bastante reduzida, a ponto de uma única livraria ser "suficiente" para uma cidade com quase 1 milhão de habitantes à época.

Em apenas 15 anos o mercado editorial e fonográfico cristão tornou-se uma máquina de quinquilharias "cristianizadas". Apenas uma seção de autoajuda hoje é maior que toda uma livraria do início dos anos de 1990. Aliás, hoje as livrarias precisam organizar por setores seus produtos para que ninguém se "perca". Autoajuda, guerra espiritual, relacionamentos, esoterismo gospel e guias de prosperidade ocupam as primeiras e mais frondosas estantes. Estudos sistemáticos da Bíblia, dicionários, concordâncias e clássicos da literatura cristã encontram-se em algum canto pouco acessível e sem indicação, quem sabe, apenas por encomenda você conseguirá um livro escrito por Charles Spurgeon ou mesmo John MacArthur.

Também é possível comprar roupas com estampas sem sentido (como uma asa delta sobre o Cristo Redentor) acompanhada de versículos descontextualizados e frases que vão desde: a tampa da chaleira vai voar a eu sou um vencedor. Elas não dizem absolutamente nada, mas crentes as usam pois assim podem "dizer" ao mundo que são "filhos do rei". Tornou-se bastante comum também, a seção que denomino amuletos de vitupério. Shofar, talit, réplicas da arca, do menorá e do templo, alguns devidamente acompanhados de manuais de utilização, tudo para tornar o ambiente mais parecido com um flora (nome dado às lojas de produtos para religião afro aqui em Porto Alegre) do que com um lugar onde você poderia adquirir produtos que edificariam sua vida ao invés de destruí-la.

Quem sabe você pense que estou sendo deveras exagerado. No entanto, se olharmos para o mercado criado em torno da cultura consumista evangélica brasileira, veremos que ela não tem critério algum para seus produtos senão o de "fazer dinheiro". É possível inclusive ler em sites de editoras e gravadoras  evangélicas  a seguinte frase: Venda produtos cristãos e ganhe dinheiro edificando vidas. Não é uma frase inventada por mim, eu realmente li isso enquanto produzia este texto. Enoja, mas é assim que se comportam e pensam os marqueteiros dessas máquinas deturpadoras do Evangelho da Cruz.

Que isso que estamos vivendo? Como isso se encaixa no Evangelho de Cristo? Tempo de perseverança dos Santos ou de apostasia? Tempo de fartura ou de sequidão?

As livrarias evangélicas (em sua grande maioria), assemelham-se ao templo nos dias de Jesus. Vende-se todo tipo de "sacrifício" pronto para um povo tolo, incauto e sedento de coisas materiais que lhes aproximem do sagrado, pois lhes falta Fé. Não entraria Jesus hoje em uma livraria derrubando todas aquelas estantes com livros de autoajuda onde a Palavra é usada apenas para decorar as páginas? Não destruíria os manuais de libertação, guerra espiritual e quebra de maldições onde a Soberania de Deus é deixada de lado para uma participação ativa e auto-governada do homem no seu processo de "santificação"?

Quanto a apatia dos cristãos frente a essa "revolução" midiática dentro da igreja só consigo pensar em uma Palavra para tudo isso:

"Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, A fim de que não vejam com os olhos, e compreendam no coração, E se convertam, E eu os cure." (Jo 12.40)