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16.3.15

o que é a conversão?

Um método que gosto de usar para explicar muitas coisas é começar dizendo o que elas não são. Gosto de usar isso quando alguns temas possuem definições populares mas que, apesar de bastante difundidas, estão em desacordo com as Escrituras.

Primeiro: Conversão não é uma decisão ou resolução moral do homem. Uma conceito bastante popular de conversão está ligado a vida moral dos que professam a Fé cristã. Crente não rouba, não mata, não bebe... Ora, roubar não é algo proibido ou imoral apenas para cristãos, mas para ateus, espíritas, budistas e para qualquer ser humano, o ato de roubar segue uma convenção social universal de que é imoral. Logo, Conversão não é assumir a partir de um momento a necessidade de praticar boas obras e viver de forma correta na sociedade em que se está inserido.

Segundo: Conversão não é uma decisão intelectual. É comum em algumas denominações o momento do apelo final ou o “convite a Salvação”. Veja, após um sermão de 45 minutos, onde a pessoa foi exposta a uma explanação sobre um assunto bíblico que não necessariamente trata especificamente do arrependimento, do perdão e do poder da Cruz, temas básicos para compreender a Salvação, aquele homem ou mulher é submetido a uma oração realizada por repetição e recebe, de forma quase que papal, a Salvação. Isto é obviamente um atentado a ensinos básicos do Evangelho e não encontra suporte bíblico senão na fragilidade de alguns versículos mal interpretados.

O que é a Conversão então? A Conversão é um processo e não um momento, por isso ela não pode ser fundamentada em uma decisão tomada por alguém ao final de um sermão que pode ter mexido com o emocional dessa pessoa, mas não com sua mente. A Conversão também é uma alteração de caminho, uma mudança radical naquilo em que creio e confio. A Conversão significa que agora meu coração caminha e deseja caminhar em direção a Deus e rejeita de forma absoluta e incondicional aquilo que é desprezado por Ele.

Conversão é uma profunda mudança de confiança. A minha confiança depositada nas minhas habilidades, bens, amigos, governo etc. é substituída por uma confiança plena em Cristo. Minha esperança neste mundo e naquilo que posso conquistar por meio das minhas capacidades é substituída pela Esperança que tenho em Cristo e naquilo que Ele não irá conquistar, mas já conquistou de forma gloriosa na Cruz.

O chamado dos discípulos é algo fantástico de se analisar, a simplicidade do ato de Simão Pedro e André ou João e Tiago, largando suas redes (Mateus 4.18-22) ou de Mateus abandonado seu posto na alfândega (Mateus 9.9) e seguindo a Cristo, tem um profundo significado espiritual para explicar a Conversão. O poder do chamamento de Cristo e a convencimento gerado pelo Espírito Santo, faz com que o homem abandone de forma imediata aquilo em que ele deposita sua confiança.

Por fim, Conversão é um ato de Ressurreição. Pega-se um cadáver, um corpo totalmente sem vida pois não há Espírito nele, o Pecado não apenas o aprisionou mas o consumiu até a morte, não passam de ossos secos e empoeirados. Então, fazendo uso de seus ministros, nós, os salvos, os já convertidos, Deus diz: “Diga a esses ossos: Ouçam a Palavra de Deus!” (Ezequiel 37.4). E a Palavra, não nós, mas a Palavra, a mesma que gerou o Universo do absoluto vazio e ordenou toda a Criação, faz com que ossos secos e sem vida criem juntas, nervos, carne e um coração pulsante.

Conversão nada mais é do que a sobrenatural atuação do sangue de Cristo por meio da pregação da Palavra de Deus, que tem o verdadeiro poder de ressuscitar os mortos. Então pregue a Palavra de Deus. Ressuscite os mortos.


Soli Deo Gloria

Texto publicado no Pelo Amor de Deus em 16 de março de 2015.

15.6.13

o que a Bíblia tem feito por você?

Acredito que quando você se converteu uma das primeiras providências que tomou foi comprar uma Bíblia. E desde então, o que ela tem feito por você? Sim. O que a Bíblia tem feito por você? Ela tem feito alguma diferença na sua vida? E ainda, o que você tem feito pela Palavra de Deus?

Não é nenhuma novidade, nenhum livro no mundo é tão vendido quanto a Bíblia. Editoras cristãs e seculares publicam Bíblias em modelos, versões e “invenções” diversas buscando um público que compra a capa mas não o conteúdo. Sim o livro mais traduzido e comprado no mundo é também os menos lidos em comparação ao volume de sua produção. Em 2011, uma pesquisa da Sociedade Bíblica Ibero Americana, apontou que quase 51% dos pastores evangélicos nunca leu a Bíblia por completo. A resposta dada por estes pastores é, acredito sem precisar promover nenhuma pesquisa, a mesma que continuamente usamos: “Não tenho tempo!”

Sim, é verdade que o trabalho, a esposa ou esposo, os filhos, as tarefas de casa, o jogo de futebol, a novela, a conversa fiada, o vídeo-game… veja, realmente algumas coisas tiram o seu tempo e não podem ser retiradas de sua vida, outras no entanto não só tiram seu tempo, mas também o desqualificam. É necessário qualificar o nosso tempo, não é um conselho meu, mas do apóstolo Paulo quando disse: aproveitem ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus. Portanto, não sejam insensatos, mas procurem compreender qual é a vontade do Senhor. (Efésios 5.16-17). Como você tem aproveitado seu tempo? Você tem um tempo de qualidade com o Senhor? Você tem buscado compreender a vontade do Senhor? Você tem feito alguma coisa pela Palavra de Deus?

A Bíblia se tornou um item de coleção para alguns, pois compram vários exemplares de Bíblias de Estudo como se o simples fato de os ter já o torne mestre. Para outros, não passa de um amuleto, colocam uma aberta nos Salmos sobre uma mesinha na sala, outra dentro do automóvel, outro na gaveta da sua mesa de trabalho, outra no quarto do bebê… o objetivo é tornar a Palavra de Deus um “santinho” igual ao que se compra em lojinhas de produtos religiosos. Sem uso a Bíblia não tem nenhum poder miraculoso, ela não é efetiva contra mau-olhado ou pesadelos, sem o Espírito para vivificá-la em você, ela não pode fazer nada. Alguns ainda a levam na igreja, com dificuldade encontram os livros e com tédio os leem juntamente com o pregador. Sim, a Bíblia parece ser tudo, até apoio para livros mais leves na estante, menos a Preciosa Palavra de Deus.

Vivendo um cristianismo antropocêntrico onde nós somos o centro da Vontade de Deus e não contrário, deturpamos a verdade de que a fidelidade Dele permanece independente da nossa infidelidade, mas esquecemos que se o negarmos, Ele também nos negará (2 Timóteo 2.12). Talvez você pense: “Eu não o nego, eu apenas não leio a Bíblia”. Bem, a própria Palavra afirma que isso é negar ao Senhor, pois vejamos o que nos diz as Escrituras.

No livro de Oséias, no capítulo 4, Deus fala por intermédio do profeta sobre a infidelidade, a falta de amor e de conhecimento da Lei do Senhor que cresce no meio do Seu povo. Deus claramente diz: Isto está desaparecendo do meio de vocês!

O texto que segue mostra a preocupação de Deus com Seu povo que pouco a pouco abandona a Aliança firmada com Ele em Abraão. Então chegamos no versículo 6 deste texto: Meu povo foi destruído por falta de conhecimento. “Uma vez que vocês rejeitaram o conhecimento, eu também os rejeito como meus sacerdotes; uma vez que vocês ignoraram a lei do seu Deus, eu também ignorarei seus filhos. (v.6)

Conhecimento aqui não é o muito estudo que você pode ter ou as muitas horas que passa assistindo o Discovery Channel. Não, o Conhecimento aqui é a própria Palavra de Deus e Sua Revelação, que para nós chegou deixando um imenso rastro de sangue derramado por pessoas que valorizaram este livro mais do que a sua própria vida, porque sabiam que nada podia ser mais precioso que a própria Palavra de Deus entregue aos homens, e assim como Cristo morreu por eles, eles morreram pela Sua Palavra, não como quem pagasse uma dívida, mas por compreenderem quem nem mesmo essa vida poderia ser maior do que aquilo que está preparado para aqueles que são chamados segundo o Seu propósito (Romanos 8.28).

Seu outro argumento pode ser o de que hoje vivemos em outra Aliança e não mais sobre a Lei de Moisés. Amados, a Aliança que temos firmado no Senhor procede da Fé, assim como a Aliança feita com Abraão, do qual Deus, antes da Lei disse: em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra (Gênesis 28.14). Abraão creu e nada lhe foi imposto em tábuas de pedra, pelo contrário o temor do Senhor lhe foi impresso no coração. Viver sob a Graça exige de nós algo muito mais profundo que uma lei escrita em tábuas de pedra, exige uma lei gravada no coração.

Por fim, Lembre-se sempre do fato de que em Deus não há sombra de mudança (Tiago 1.17). Por isso, é verdadeira a Palavra: Se o negarmos, ele também nos negará. (2 Timóteo 2.12)

Que o Espírito Santo do Senhor possa nos transformar a cada dia, levando-nos a amar a Sua Palavra.

Soli Deo Gloria

1.1.12

relevante para o mundo ou tão relevante como o mundo?

O que esperar da igreja brasileira neste próximo ano? Uma igreja com uma pregação relevante para o mundo, ou uma igreja tão relevante para os homens como o mundo?

Não faltam pregações, músicas e "profecias" anunciando um evangelho que seja relevante para uma sociedade depravada, perdida e em profundas trevas. Mas o que é ser relevante? O que a igreja tem feito e entendido como atuação importante e vital para o homem em nosso contexto?

Em 2011, enriqueci bastante minha videoteca pessoal de vídeos esquizofrênicos gravados no interior de algum templo pseudo-cristão, assisti a verdadeiras orgiais "espirituais" como: um batismo realizado num toboágua, luta de MMA na nave do templo, garotos jogando Playstation no lugar onde deveria estar o púlpito da igreja, um site com as evangélicas mais "gostosas" etc. Em última análise, é isso o que a igreja brasileira (pelo menos grande parte dela) tem considerado relevante para o homem.

Se há alguns anos atrás muitas igrejas tinham dificuldade em manter seus jovens dentro do templo, pregando uma vida asséptica que não condizia nem com a realidade local nem com a realidade bíblica, hoje, "manter" uma boa parcela de jovens utilizando as dependências do templo tornou-se relativamente e momentaneamente fácil... o custo é alto, mas parece ser eficaz... se o que você quiser for apenas mantê-los utilizando as dependências do templo por um tempo. Para manter pessoas mundanas dentro da igreja, basta adotar a agenda do mundo.

E meus irmãos... como prospera esse mercado!

O problema obviamente é o custo disso. Comparado ao estrago feito na vida de milhares de adolescentes e jovens que frequentam igrejas dirigidas por pastores comprometidos com a carne e não com o Espírito, é realmente barato o valor gasto com aluguel de ringues para lutas ou de parques aquáticos. É muito barato um DJ e a locação de um sítio para uma "rave gospel", se levarmos em conta que jovens e adolescentes sem formação e informação bíblica, mas profundamente mergulhados na cultura mundana inserida na igreja, após um pequeno e curto período de tempo dentro dos templos, são substituídos por outros iguais a eles, em um círculo infâme que se repete constantemente. Pois faltam olhos para uma liderança preocupada tão somente com o agora. Mentes tão dominadas pela cultura secular que vivem exatamente como o mundo, excetuando por uma Bíblia teen multicores nas mãos ou forma de uma bolsa cor-de-rosa (um tipo de Biblia-bag Barbie Teen).

Pastores culpam a TV por que meninas de 16 anos de sua igreja estão grávidas de rapazes, não "ímpios", mas batizados, pregadores e quem sabe até pertencentes a algum ministério de street dance da igreja. Líderes de jovens um tanto perplexos porque a influência dos colegas da escola levam seus discipulados as drogas... Ora, não percebem estes cães cegos que eles são os culpados? Não percebem que ao tornar a igreja tão irrelevante, parecida e palatável quanto o mundo pode ser, deixaram de ser o agente ativo para tornarem-se meros espectadores da revolução que o mundo tem proporcionado dentro da igreja?

Onde estarão os ministros de louvor a criticarem os valores demoníacos pregados pela Globo em suas novelas quando todos eles assinaram contratos com a mesma? O que pregarão os pastores, outrora defensores de uma vida de santificação, quando suas igrejas são pátios do inferno e suas ovelhas sentem verdadeira repulsa a termos como doutrina, santidade e pureza? Onde estarão aqueles que pregavam uma vida de assepsia impossível e hoje estão entregues a toda sorte de imundícia oferecida pelo mundo?

Estes esperam mais um ano de prosperidade, de crescimento, de lama e podridão até que nem mesmo dor sintam em seus ossos... minha espectativa e esperança para 2012 é bem acanhada, um tanto utópica reconheço... Eu realmente espero que as trevas avancem "percentualmente" menos que em 2011. Eu realmente oro para que alguns cegos tornem a ver e uns surdos tornem a ouvir, e se necessário, que muitos mercenários pereçam antes de promover destruição em outras vidas.

Maranata Jesus!

26.8.11

sepulturas

"Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos e de toda imundícia." (Mateus 23.27)


"Ai de vós! porque sois como as sepulturas que não aparecem, sobre as quais andam os homens sem o saberem." (Lucas 11.44)

_______________


Chama-me atenção essas duas lamentações de Jesus Cristo. Elas são parecidas mas não iguais. Confesso que por muito tempo elas pareciam-me ser a mesma coisa. Estudando um pouco vi que existe diferença entre elas. Apesar de se referirem ao mesmo tipo de cristão hipócrita, apresenta dois tipos distintos na aparência de falsos pregadores, falsos cristãos e falsos profetas.

Na passagem do Evangelho do Apóstolo Mateus, Jesus lamenta o fim daqueles que parecem ser mais do que realmente são. Vejo Cristo lamentando pelos pseudo-apóstolos e seus ternos cheio de brilho e perfume forte para que não passem despercebidos no meio da multidão. Vejo Cristo lamentando pelo fim dos falsos profetas e suas revelações que não transformam, mas aprisionam ainda mais o homem... homens que contornam o mundo para fazer um prosélito, para depois o tornar duas vezes mais filho das trevas, pois não ensinam a Palavra, mas suas doutrinas espúrias e uma religiosidade demoníaca.

Eles são sepulcros caiados. Pintados de branco e adornados com flores de plástico e vasos de porcelana falsificada... todo mundo que passa vê e consegue claramente identificar: Trata-se de uma sepultura. Ou admira sua beleza, ou sente repulsa por se tratar de um depósito de ossos, vermes e baratas. Quem toca nesse tipo de sepulcro, deliberadamente o faz. Contamina-se pois compactua com essa "beleza" mórbida e decadente. Quem rejeita e se afasta, é porque percebe que só o tocar já o contamina. Deseja distância do pecado e o que aquilo representa.

Quando leio a passagem do Evangelho de Lucas, vejo um outro tipo de hipócrita. Um outro tipo de religioso temente ao homem e não a Deus. Escravo do pecado e não da Justiça. Temente a própria consciência, perturbado com suas dúvidas e refém de sua carnalidade. Adepto de um teísmo que põe o homem no centro mas que precisa esconder-se atrás de uma fina cortina de falsa piedade. Com aparência de temor a Deus, não passa de demência humana. Julga tudo no natural e busca em seu próprio coração a resposta para suas dúvidas sobre os mistérios do Senhor. Julga Deus como um soberano limitado, um poeta incompreendido, um filosófo em busca do seu eu.

Quem passa não percebe que é uma sepultura... muitos desavisados, menos experientes ou com um olhar menos apurado, não percebem a fonte de podridão... passam por ela e se contaminam.

Não faltam sepulturas... aparentes ou escondidas no meio do evangelicalismo brasileiro.

Que Deus tenha misericórdia dos seus... Maranata Jesus!

4.2.11

incompatibilidade


Não é a primeira vez que escrevo sobre ecumenismo. Por isso quero deixar bem claro já no início do discurso. Não vou me referir ao movimento ecumênico, que tem origem no próprio protestantismo. Vou utilizar o termo ecumenismo num sentido bastante amplo. União de religiosidades ou instituições religiosas de "fés" opostas.

Não muito tempo atrás, seguindo a cartilha do mercado de consumo, uma pastora e um padre estiveram no programa de maior audiência da moralmente decadente tv brasileira. enquanto promoviam seus "ministérios" e CDs, assisti um (que vou considerar em respeito a pastora) grande ato falho de um cristão em rede nacional. Se fora da grande mídia, cristãos são apedrejados, mutilados e queimados vivos por não negarem ao evangelho. Em cadeia nacional, no canal mais visto pelos brasileiros, uma pastora (a quem considero minha irmã em Cristo), não fez distinção entre trevas e Luz. Pelo contrário, produziu um novo pensamento em uma teologia pseudo-cristã:

"Cada um anda na luz que tem"
... disse ela.

Preciso, antes de continuar, explicar minha posição a respeito da amizade entre cristãos e católicos, cristãos e muçulmanos, hindus, budistas ou qualquer outro que professe um evangelho diferente daquele pregado por Cristo e seus apóstolos.

Creio, de todo coração, ser possível existir amizade entre pessoas que pensam, agem e fazem construções de mundo antagônicas. Primeiro, independente do credo, TODOS pecaram e destituídos estão da Glória de Deus. Segundo, não importa se é em Jerusalém, em Samaria ou em Nínive, homens e mulheres aguardam as boas novas do Evangelho. Terceiro, não existe mais distinção entre senhor, escravo, livre, grego ou bárbaro... Cristo é tudo em todos.

Deste modo, cristãos não são a melhor classe de pessoas sobre a face da terra... pelo contrário, se cremos nas palavras de Cristo, e certamente cremos: "De todos sereis odiados por causa do meu nome." (Lucas 21.17)

Logo, a questão não é obviamente o padre. Pois ele, dentro dos conceitos do homem de bondade, misericórdia e amor, é muito estimado. A questão é quem ele representa e o que ele prega.

Sei que a referida pastora não acredita existirem várias "luzes", mas sim, que há apenas uma Luz. O resto, são trevas. Não existem "muitas" luzes, como não há outros deuses. Existe um único Deus... uma única luz.

O cristianismo contemporâneo tem se perdido nas ideologias e no pensamento pós-moderno. Como resultado da intolerância do século XX, como dos fascismos europeus, do socialismo e dos regimes militares de direita, a misericórdia de Jesus demonstrada pela adúltera (João 8) passou a ser vista como tolerância. O amor demonstrado por Cristo ali, agora é visto como aceitação.

Ora, foi uma simples aplicação do "misericórdia quero, não holocaustos" (Mateus 12.7). Mas em nenhum momento ele demonstrou tolerância ao pecado daquela mulher. Ou não teria dito: "não peques mais". Sim, ele considerou ser um pecado o adultério, não, ele não a condenou, ele a absolveu... e não, ele não foi tolerante com o pecado... a este, ele condenou... "não peques mais".  E não, ele não aceitou que ela permanecesse naquele estado... mas ele radicalmente a transformou... pois ela estava morta, e lhe foi dada a vida.

Não devemos ser tolerantes com os erros. Não devemos deixar de admoestar. E por fim, não devemos colocar o homem no lugar de Deus. Antes de pecar contra Aquele que tem o poder sobre nossas almas, deveríamos considerar nos opor aos que só podem tocar nossa carne. Pois não serão estes últimos a nos julgar, mas o Primeiro.

Portanto, um púlpito consagrado a Deus não pode ser dividido com alguém que serve a outro deus... ou que evoca mortos por intermédio de estátuas mudas. Um ministério forte não é aquele que arrebanha milhares e milhares em torno de sua cidadela, mas aquele que mantem-se integro até a volta de nosso Senhor.

Ainda que criados pelo mesmo Deus... somos absolutamente incompatíveis nas coisas espirituais.

"Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade;" (Isaías 5.20)


Soli Deo Gloria

1.2.11

uma crônica sobre minha vontade

Recentemente mudei de cidade, e como qualquer (alguns) cristão faria, estou visitando algumas congregações cristãs. Talvez, apenas talvez, fosse mais fácil se existisse uma congregação da mesma denominação que eu já freqüentava na minha antiga cidade... talvez, mas apenas talvez fosse mais fácil.

A questão obviamente não é a tal da facilidade. Fosse este o motivo já estava definido. Há menos de 50 metros da minha nova casa há uma congregação cristã. Com um pastor, homens e mulheres tementes a Deus.

Nessas igrejas que tenho visitado, vi de quase tudo um pouco. Só não vi uma coisa: calvinistas.

Há não! Lá vem falar de calvinismo de novo?!?!?! não cansou não???


Não, não... Calma... não vou falar disso não... vou falar de Evangelho mesmo... sem Calvino, sem Spurgeon... segundo alguns, nem sei quem foi Calvino... mas vou citar Deus em algum momento do texto. Usarei a terceira pessoa do singular para indicá-lo. Espero que não te percas enquanto lês.

Em todas as igrejas que visitei, assim como a que freqüentava na minha antiga cidade. A pregação, ou, veredas secundárias que levam a pregação "tema: Salvação", indicam invariavelmente a vontade do homem como ponto de chegada.

Não sei se isso é ser arminiano... Sinceramente, a maioria dos cristãos pós-modernos do século XXI nem sabe o que calvinismo ou arminianismo... entendo isso como uma visão entre essas duas coisas... um pouco perdida entre essas duas visões para ser sincero.

Mais ou menos assim... corrijam-me se eu estiver errado:

"Jesus te ama. Ele morreu por ti. Ele tem um GRANDE projeto para tua vida. Ele tem "sonhos" maiores que os teus para você. Ele quer mudar a sua vida.  Ele quer mudar a tua atual situação. Ele quer te curar. Quer resgatar tudo o que você perdeu. Te dar em dobro tudo o que satanás um dia tomou de ti. BASTA, você aceitá-lo."

Se faltou alguma coisa, por favor, postem nos comentários. Apesar da minha certa "alta-medida" de intolerância fundamentalista, aos poucos estou sendo moldado e tornando-me mais receptivo... receptivo, não tolerante.

Voltando...

Como me criei ouvindo isso, e até, crendo ser esta uma verdade (ainda que ela não seja de todo mentira). Sempre entendi "isso" como apelo de Salvação.

Mas aí, sei lá... em algum momento, talvez lendo a Bíblia, certamente, não que eu lembre, não foi em nenhuma visão ou revelação de sonho... tenho certeza que foi lendo a Bíblia... entendi de outra forma... uma que eliminava o "BASTA" da história. Percebi, talvez por que fosse tarde da noite ou muito cedo... não lembro... que não "bastava" apenas aceitá-lo.

Eu precisava SER aceito.

Devo ter entrado em depressão.. ou algo parecido. Afinal, o que eu poderia fazer para ser aceito. Sério, pensa comigo... o que você pode fazer para ser aceito por Deus? Cristo fazia a vontade de Deus de dia e de noite... eu não consigo nem compreender qual a vontade Dele para esta noite... como Ele poderia ter algum prazer em mim? sério, pensa friamente... só uma vez... não dói. Eu garanto.

Talvez fosse melhor ficar com a fórmula com o "BASTA" aceitá-lo. Mas não dava mais para voltar atrás. Acho que é o que acontece quando você escolhe tomar a pílula vermelha. Você enfim é desligado daquelas máquinas que te deixam vivo numa realidade em que você está no controle. (Tá, quem não viu Matrix não vai entender essa metáfora. Manda um e-mail que eu explico ou assisti o filme)

E... algum tempo atrás, muito tempo atrás para ser sincero, pensei... foi quase um devaneio... teria eu perdido minha vontade própria?

Olhando para mim... para minha condição de "salvo", "santo", "redimido", "lavado" e tudo mais... vi todo tipo de pecado, todo tipo de ferida em pús e  de ilusões produzidas pela carne na minha mente. Percebi, imediatamente após essa visão dantesca da minha justiça em frangalhos, que eu ainda tinha vontade própria. Essa era minha vontade própria. Vontade de pecar, mexer nas feridas (quem sabe até as provar) e viver das ilusões e fantasias do meu coração. A mais desesperadamente corrupta parte do meu ser.

No entanto, percebi também, agora não olhando mais para mim, mas para ELE (a 3ª pessoa do singular), ainda existir esperança para o vermezinho... o bichinho de Jacó.

Independente da minha vontade contrária a tudo que pode ser chamado de santo. Meus pecados são perdoados, minhas feridas são saradas e minha mente é transformada. Num trabalho que só alguém que começou uma boa e perfeita obra pode concluir. Não é trabalho de homem... mas de alguém que fez o Universo com o poder de Sua Palavra.

Uma pena realmente... eu ainda não ter perdido totalmente a minha "vontade própria". Sinceramente... lamentável.

Deus vos abençõe.

19.1.11

a porta é estreita... e o caminho é apertado

"porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida,
e são poucos os que a encontram."     Mateus 7.14

Existe uma porta estreita. Não há um único cristão que negue isso. Qualquer um, por mais "perdido" que esteja, conhecendo a doutrina (ainda que não creia em doutrina) tem essa informação... ainda que não entenda o que isso quer dizer... ele sabe... para entrar, precisa passar pela porta... e ela é estreita.

Mas e o caminho que conduz até essa porta?

Aparentemente, parece que Jesus está contrariando a própria Palavra, pois afinal, não disse o salmista e rei Davi: "o caminho de Deus é perfeito...", não apenas uma, mas duas vezes? (Sl 18.30, 2 Sm 22.31)

Ahã! sabia seu legalista... você já estava querendo aplicar doutrina puritana para cima de nós!

Não... isso não é necessário. Cada um recebe do Senhor justa medida.

Mas também, claramente, o mesmo rei e homem segundo o coração de Deus escreveu: "Deus é a minha fortaleza e a minha força e ele perfeitamente desembaraça o meu caminho." (2 Sm 22.33)

Jesus não está dizendo que o caminho é imperfeito. Ele está dizendo que o caminho é apertado. Mas conforme tudo aquilo que foi preparado por Deus desde os tempos que não se podem contar... é perfeito.

Acontece que como todas as coisas que homem tem dificuldade para se ajustar, o caminho preparado por Deus também parece imperfeito aos olhos do homem. Assim, o caminho de Deus perfeito - ao homem - é espaçoso, pavimentado e na descendente.

Acontece que aquilo que Deus considera perfeito, obviamente, não é o que consideramos nem mesmo bom. Nosso padrão de perfeição, tão defeituoso e cheio de preconceitos desde sua origem é mais facilmente assimilado, afinal, nós mesmos o idealizamos e construímos.

Assim, o caminho proposto por Cristo torna-se inadequado... mantemos a porta onde ela está, afinal, ela está no final do caminho, mas quanto ao caminho em si... não... eu não posso deixar toda essa vida passar privando-me de, uma vez ou outra, girar sobre o meu próprio eixo... e me parece, daqui de onde vejo, que nesse caminho mal dá para se mexer.

O caminho precisa ser suficientemente largo para que eu, durante minha vida de pecador, possa usufruir dos prazeres do pecado e dos benefícios da Graça... aí sim... esse caminho será perfeito. Aí sim eu serei livre.

Isso porque o entendimento de liberdade do homem não parte da perspectiva de Deus, mas da perspectiva do próprio homem.

Se realmente entendêssemos a assertiva do apóstolo Paulo: "onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade" (2 Co 3.17) compreenderíamos que a liberdade que gozamos como escravos da justiça, com acesso direto ao santíssimo pela destruíção do véu, não nos dá nenhum prazer em virar para esquerda ou direita... não nos importaríamos de caminhar no tão apertado caminho... pois nosso alimento, nossa vontade, nossa vida... seria fazer a Sua vontade.

Lamento primeiramente por mim... que acho tão difícil caminhar nesse caminho. Mas agradeço ao Senhor, por cada vez que ele me reconduz... procurando encontrar, no final deste tão lindo caminho, a igualmente bela e estreita porta.

15.1.11

buffet "livre"

"A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou
e realizar a sua obra."
(João 4.34)

Quem de nós poderia repetir esta frase de Cristo?

Longe... léguas e léguas distante dessa realidade, nós; a igreja contemporânea "gospel" tupiniquim, cópia mal-acabada da decadente igreja pseudo-cristã estadunidense, vemos e recebemos (direta e indiretamente) a pior comida "espiritual" que pode ser preparada.

Morna e sem tempero, mas tão perfeita na aparência quanto uma maçã de cera, é a comida servida pelo próprio homem para si próprio.

Pastores... agora apóstolos (ou pústulas), bispos, doutores e falsos profetas, preparam o buffet mais variado possível. Desejam agradar vegetarianos e carnívoros na mesma mesa. Salvos e perdidos devem viver em comunhão na Casa de Oração, em harmônia e paz... trevas e luz devem conviver interagindo e não repelindo-se. Para tanto, o cardápio é preparado pela pesquisa de mercado. Pela opinião pública. Pelo desejo carnal do homem de ser seu próprio deus... seu próprio cozinheiro.

Eu não pretendia escrever um texto. Eu apenas queria desenhar uma imagem. Acho que ela fala por si. É perturbador e consolador a atual situação pela qual passamos. Perturba-me, pois o nome de Cristo é profanado em centenas e centenas de altares caídos e destroçados pelo pecado. Consola-me, pois a apostasia é sinal do Senhor... é sinal de Sua volta.

Maranata Jesus!

10.12.10

acostumando com a idéia

Há uns 6 anos atrás perdi minha avó materna. Era a primeira vez que um parente próximo falecia. Não fui ao enterro, não vi o caixão... nem mesmo entrei no cemitério. Uns dois anos mais tarde falecia minha avó paterna. O mesmo cemitério, e só consegui entrar na capela funerária poucos instantes antes do caixão ser fechado. Vi seu corpo de longe.

Nos últimos dois anos faleceram meus avôs. No primeiro consegui entrar na capela, vi seu corpo e consegui ficar próximo das pessoas que ali o estavam velando. Há pouco mais de 6 meses, no enterro do último avô, não apenas fui capaz de entrar na capela, mas de ser o orador do funeral. A primeira coisa que eu devia fazer, no último lugar em que eu deseja estar.

Obviamente não me acostumei com a morte. Não é uma sensação agradável e não existe forma de se aceitá-la de forma indifirente. Ainda que nossa fé esteja alicerçada na eternidade dos santos, a perda física/temporal de um ente é momentâneamente devastadora. Momentânea para aqueles que tem sua esperança no Senhor, é claro.

Penso agora então no pecado. Penso na "invencionices" do neo-cristianismo averso à doutrina e adepto do judaísmo-gospel e da manipulação do texto sagrado.

Sob o pretexto de que inovar é responder à voz do Espírito Santo. Pastores, ex-pastores (agora apóstolos), levitas(?) e homens-ministério tornaram-se um canal de abastecimento de um evangelho torto e com propósitos carnais.

A visão... ou nova visão destes homens e mulheres, transforma o mundo em terra prometida. Transformam a "parábola" do Peregrino de Bunyan em heresia ou fundamentalismo (em sua versão pejorativa). Tornam a Justiça de Deus tão falível quanto a do homem... tão suja quanto pode ser nossa mais pura verdade.

Milhares estão se acostumando com a idéia de que isso é Evangelho. De que essa foi a pregação de Cristo e esse foi o Seu propósito na Cruz. Não grupos de fãs, mas igrejas, mega-igrejas, erguem suas torres de glória em torno desses mundanismos. E muitas, que antes proclamavam o nome de Deus, hoje proclamam o nome de seus líderes e asseclas mais distintos.

Estou cansado de "adivinhos". Estou cansado de pessoas populares, ricas desse mundo e mentamente perturbadas, dominando púlpitos e pessoas sem Cristo, em nome de Cristo. Estou farto de tanta burrice teológica, tanta infantilidade, tanto leite tépido e com prazo de validade expirado sendo servido como fonte de vida.

No entanto, não creio que os verdadeiramente salvos, aqueles a quem Deus desde a eternida já ecolheu, venham a perder a condição de salvos. Não temo pela vida deles. Elas estão protegidas no Senhor.

Estristece-me sim, o fato de que o precioso nome do Senhor seja usado como título de carnê profético, tour de cruzeiro e motivo de piada... não em programas de humor, mas em igrejas ditas cristãs.

Lamentável... mas muito mais do que esperado.

"...nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios"
                     Apóstolo Paulo, ensinando a Timóteo o que é ser um verdadeiro cristão.

16.10.10

contra que e quem lutamos?


Até a Segunda Guerra Mundial, quando os regimes fascistas mostraram-se os "malvados", todos sabiam quem eram os inimigos. A guerra fria, e muito mais o seu fim, anularam por completo essa idéia dicotômica de bem ou mal.

O mundo cego e incapaz de compreender a Verdade, vê o inimigo em um homem com um alcorão, em um homem beijando outro homem, eu uma mulher abortando, em um traficante de animais ou em um drogado... enfim, vê seus inimigos naquilo que consideram como marginal à sociedade. Ainda que eles mesmos vivam à margem aos olhos de outros.

Acompanhando as tendências, como é peculiar da igreja cristã ocidental, aos poucos fomos perdendo a capacidade de reconhecer o inimigo. Ou ainda pior, copiamos o modelo de identificação de inimigo adotado pelo mundo. Olhamos como o mundo... superficialmente.

Mas a igreja cristã brasileira também tem visto o inimigo dentro da própria igreja. Não em sua própria congregação (às vezes sim). Mas na outra... a que abriu recentemente e está organizando um grande evento para arrebanhar ovelhas de outro pasto. Vê seu inimigo no outro pastor... não o que rouba e adultera (que nem poderia ser chamado pastor), mas no que "prega" com tanto vigor que junta as centenas filiados a outros partidos religiosos (igrejas).

O estado caótico da igreja brasileira só é acobertado pela própria igreja. Que mesmo cheia de pus e pedaços de carne podre pendurados por restos de pele, finge estar tudo em paz. Põe uma atadura suja e chama o próximo paciente da interminável fila.

O apóstolo Paulo escreveu aos irmãos na Galácia o seguinte: "Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro" (Gl 5.17).

A igreja (que não é Igreja) abandonou o Espírito Santo de Deus. Sobrou apenas a carne e a carne não luta contra ela mesma, o reino de satanás não está dividido contra si mesmo (Mt 12.26). Ela apenas busca outros recursos nela mesma para continuar a praticar tão somente suas obras.

No entanto, se clamassemos pelo Espírito de Deus, este geraria, primeiro em nós, intensa batalha pelas nossas mentes e corpos. Pois opõem-se totalmente as obras do pecado.

O que manteve o equilíbrio entre diferentes sistemas de governo e ideologias durante toda a História, foi a vigorosa oposição exercida por opostos. No momento em que um dos lados cedeu ou deu-se por vencido, a oposição não só deixou de existir, mas o que se seguiu foi o monopólio de um sistema ou ideologia.

A igreja brasileira voltou-se para luta da carne. Com armas da carne. Abandonou ou está apressadamente abandonando as armas espirituais, em parte, porque seus soldados mais novos já não as sabem mais manejar e os velhos estão cansados.

Ao abandonar aquele que se opõe a carne monopolizamos um único sistema. Um único guia para nossas almas. Damos todo poder a carne.

Maranata!

25.8.10

cortando o próprio galho


Não temos outro ponto de sustentação para nossa fé senão a Palavra de Deus. Escrita por profetas e apóstolos inspirados pelo Espírito Santo ela é o alicerce palpável e visível do que cremos. Uma única verdade manifesta na doutrina neotestamentária.

Quando o Senhor me levou a conhecer a doutrina da graça também ensinou-me a provar a palavra pregada:

Agrada ao homem caído? Então desagrada a Deus.

Isso não serve para qualquer um. Não é aceitável aos arminianos, aos pregadores da teologia relacional ou liberais. É compreensível apenas aqueles que foram convencidos pela doutrina da graça, o verdadeiro evangelho de nosso Senhor.

Veja. Não estou em hipótese alguma afirmando que a palavra quando pregada deve ser amarga ou preparada com tamanho desgosto que torne impossível ao homem natural ouvi-la. Também não afirmo que ela deve ser melada com doce mundano para que possa ser devorada por pessoas carnais. Estou dizendo que a Palavra verdadeira, uma lúcida exposição da doutrina, não importando a maneira que ela chegue ao ouvido da mente caída, sem interferência do Espírito Santo será sempre rejeitada pois essa é a natureza do homem.

A verdade implicita na pregação pós-moderna é de que para que o homem carnal aceite a palavra de Deus necessário é que ela seja parcial. Necessário é que seja comprometida, não com Deus, mas com o homem. O papel de Deus é de mero coadjuvante numa trama escrita por homens. Para escrever esta história algumas técnicas básicas para produção são empregadas.

1. PALAVRA DE DEUS COMO APOIO E NÃO FUNDAMENTO: a Palavra de Deus (Bíblia), o livro sagrado, torna-se uma coletânea de exemplos morais e experiências pessoais que servem como pano de fundo para novos enredos. Nesses novos enredos são produzidas histórias com algum "sentido" para o homem.

2. PREGAÇÃO COMPROMETIDA COM O HOMEM: as pregações tornam-se relevantes ao homem não naquilo que ele precisa, mas naquilo que ele quer. O homem precisa de Deus mas não deseja arrepender-se. Prega-se um Deus sem o arrependimento, um caminho fácil de se percorrer e um evangelho desfigurado. Enfim, procura-se agradar ao homem. Ele sai satisfeito, sem compromisso, não ofendido pelo evangelho e volta no próximo final de semana.

3. VERDADE RELATIVA: quando a Palavra de Deus é relativizada ela perde seu poder. Exposta parcialmente ela não tem poder de transformar o homem. Como subterfúgio cria-se uma vasta literatura de apoio que parece preencher as "lacunas" deixadas pela Palavra de Deus. Na verdade, são band-aids sobre um tórax aberto. A Palavra deixa de ser uma verdade para ser muitas verdades dependendo do ponto de vista do homem.

4. QUESTIONAMENTO E NEGAÇÃO DA VERDADE: costumo considerar esse erro como cortar o galho onde se está sentado. Semelhante a verdade parcial, é no entanto um passo adiante. Aqui não se encobre a doutrina para que ela não ofenda o homem, ela é sim deliberadamente expurgada para dar lugar a uma visão carnal da justiça e amor de Deus.

A Palavra que não confronta o homem lhe agrada. Ela entra em seu interior e não produz nada senão uma temporária sensação de satisfação. Ele se sente perdoado sem entender perdão. Sente-se amado quando na verdade teve apenas seu ego massageado. Iludido por uma sociedade que não lhe exige compromisso encontra nesse tipo de evangelho sua salvação. Ela não precisa ter uma aliança, ele não precisa dizer sim... ele apenas fica. Seu relacionamento é superficial. Ele nada tem a oferecer e não se importa de estar nessa situação. Sente-se bem. Isto basta.

Igrejas estão apinhadas de pessoas assim. Mentes carnais que encontraram na igreja um clube social. Elas não são confrontadas à mudança, a palavra que lhes chega aos ouvidos é insípida. Trata de assuntos tão triviais quanto qualquer programa de tv à cabo. São sempre os mesmos versículos distorcidos e tirados do seu contexto. São sempre as mesmas músicas antropocêntricas. São sempre os mesmos apelos para uma salvação temporária e para um perdão com prazo de validade.

Pregadores estão literalmente minando o único alicerce do Evangelho. Ao tornar a Palavra de Deus um livro que apenas pode ser "traduzido" por homens habéis em inventar histórias destróem a própria fé. Cortam o galho onde estão sentados.

12.8.10

uns cogitam coisas da carne... outros coisas do Espírito

Li, ontem eu acho, um texto do Leonardo Galdino, publicado nos blogs Bereianos e Púlpito Cristão, além do próprio blog do autor, claro. Quanto ao artigo, nada a acrescentar. É excelente. Quanto aos comentários que li do artigo nos três blogs que supracitei. É lamentável. Sim... lamentável...

O veneno do pós-modernismo corre nas veias dos "novos evangélicos". Uma frenética busca em transformar a Palavra de Deus em algo tão instável quanto a própria mente humana caída, para que assim, ela possa ser mais bem digerida pelo homem.

Engraçado (ou tragicômico) foi ver um comentário em que alguém defendia a neo-teologia do pr. Gondim usando um texto de Charles H. Spurgeon... faz-me rir... Spurgeon colocaria essa teologia receosa de "ofender" a criatura e firmada em areia movediça ao lado daqueles com quem lutou no final da sua vida na Controvérsia do Declínio. O príncipe dos pregadores não aceitou a pregação moderna... não aceitaria o seu filhote: a teologia liberal.

Outro afirmou que Jesus não era adepto da "teologia da certeza". Mas de que Jesus esse camarada tá falando? Usou o fato de Jesus responder aos questionamentos com outra pergunta. Jesus não perguntava por que tinha dúvidas, perguntava porque tinha certeza. Perguntava porque estava ensinando. Atribuir ao Cristo, Filho de Deus, incertezas, é no mínimo... HERESIA. Se bem que esse termo caiu em desuso, como também palavras como MUNDANISMO e DOUTRINA... é claro.

Outro tipo de comentário que vi foi o "questionamento" de Lutero e Calvino feito a igreja romana. O artigo escrito pelo irmão Leonardo não trata de "questionar" a instituição igreja, trata de questionar a Palavra. Não um questionamento com o intuito de aprendizado, mas o questionamento que põe em chave a própria fé. Tolamente, os que tornam "parcial" ou "relativa" a Palavra, cortam o galho da fé onde estão sentados.

Leitores e admiradores de livros como A Cabana, deleitam-se mais lendo Foucault e Nietzsche que as cartas de Paulo. Porque parece a seus olhos, que aquelas dão mais certezas por se afirmarem como incertezas que essas que se apresentam como verdade irrefutável. O Evangelho não é firmado em areia, mas em rocha. O questionamento deve sempre existir, somos criaturas pensantes, racionais. Mas a verdade é uma só. Não é a Palavra que se adapta ao meu pensamento... minha mente é que deve ser transformada pela Palavra.

Terminarei da mesma forma que o Leonardo concluiu seu texto.

"Vou ficar mesmo com a fé do cristianismo histórico". Pois já experimentei dessa outra água... e ela fede.

7.8.10

a pregação pós-moderna (anotações - IV)

"A incerteza da pregação pós-moderna
dá ao homem a "certeza" de que ele não tem pecados."

Escrevi esta frase enquanto rascunhava o texto anteriormente publicado.



Ao tornar a verdade relativa, o pecado também se torna relativo. Todo o resultado ou conseqüência de um e de outro se tornam casualidade e/ou sem importância e necessidade.

Para quem entende a Salvação como um momento que pode ser perdido ou conquistado, e ainda que negue a salvação por obras inclui o homem como fator decisivo para a obra redentora, a verdade relativa do pensamento pós-moderno "preenche" a lacuna da mente carnal na busca de um contato sem compromisso com o sagrado ou espiritual.

Essa verdade relativizada não tem o mesmo poder da verdade absoluta. O pecado, como oposto a essa verdade, também perde seu poder, tornando-se não mais um problema, mas um probleminha. Se eu não preciso mais viver a verdade porque ela não é absoluta, também não preciso mais me arrepender, pois meu pecado também não é absoluto, ele é relativo, como a verdade que eu vivo.

Na carta que o apóstolo Paulo escreveu a igreja da Galácia ele cuidadosamente, literalmente e claramente enumerou as obras da carne (Gl 5.19-21). No entanto, a pregação pós-moderna distorce, ou em suas próprias palavras, "contextualiza" este texto adaptando à mente carnal do presente século. O pecado claramente descrito e a Palavra absolutamente verdadeira se tornam em um pensamento a ser interpretado e que regularmente é distorcido.

Estes três versículos do livro de Gálatas poderiam ser resumidos, ou reunidos, eu um único substantivo: mundanismo. Mas se nada é "totalmente" mundano e nada pode ser considerado "completamente" profano. As práticas pecaminosas descritas pelo apóstolo Paulo também não podem se consideradas "completamente" pecado.

A pregação pós-moderna basicamente faz isso. Ela primeiro desqualifica a Palavra de Deus como Verdade. Posteriormente, anula a soberania de Deus. Por fim, dá ao homem o poder de se salvar, ou de se perder.

4.8.10

não me envergonho do "antigo" evangelho


"Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a AMIZADE DO MUNDO É INIMIZADE CONTRA DEUS? Portanto, qualquer que quiser ser AMIGO DO MUNDO CONSTITUI-SE INIMIGO DE DEUS.  Ou cuidais vós que em vão diz a Escritura: O Espírito que em nós habita tem ciúmes?" Tiago 4.4-5

É fato: as igrejas evangélicas no Brasil, nunca estiveram tão cheias de gente. Nunca estiveram também tão cheias de mentes carnais, tão cheias de falsos profetas, tão cheias de lobos... tão carentes de ensino da Palavra, tão deficientes e doentes. Deixando de ser um lugar para atender feridos e os levar à cura (não falo de cura interior, falo de Salvação), passou a ser um depósito de doentes. Deixando de ser fonte de alimento saudável, tornou-se fornecedora de comida insípida.

Um dos retratos disso... desse "sucesso" como empreendimento comercial, é que no passado os ímpios olhavam para um pastor e o rotulavam de imbecil, pobre, sem estudo, fanático etc. Hoje, esses mesmos seres que odeiam a Deus quando olham para um pastor lhe imprimem outro rótulo, o de sem-vergonha, ladrão, mentiroso, inescrupuloso entre outros menos simpáticos.

O pastor de ontem, apesar de ser considerado parvo, era também visto como sincero, talvez pela ingenuidade a ele atribuída. O pastor, bispo, apóstolo ou patriarca de hoje, é tido pelos não cristãos como um cara malandro que está ali para enriquecer. Se o pastor "das antiga" era considerado um fanático porque ameaçava todo mundo com o inferno... o de hoje é visto como um estelionatário que manipula pessoas para que lhe entreguem seu dinheiro.

No que o evangelho melhorou? Qual foi o sucesso alcançado pelo evangelho contemporâneo? Para que tem servido o evangelho? Ou ainda, para QUEM ele tem servido?

A igreja, como congregação, e não como Igreja de Cristo, deixou, ou tem gradativamente e apressadamente deixado de ser um lugar de comunhão de santos, eleitos e com uma verdadeira aliança com Deus, para ser o lugar de ajuntamento de pessoas carnais, comprometidas apenas com seu próprio umbigo e que apresentam apenas um conceito positivo em relação a Deus. Afinal, "Ele é o camarada que pode me dar aquilo que desejo".

O mundanismo encontrou na igreja evangélica contemporânea um fértil campo. Enquanto religiões como islamismo, hinduísmo, budismo e outros "ismos" lutam para manterem-se intactas à "evolução" secular, o cristianismo abriu às portas ao mundo e deseja avidamente pacificar as relações com este inimigo eterno.

Creio que este meu último parágrafo será pano para que se costurem todo tipo de manga indesejada pelos de mente cauterizada, então o explico. Quando digo que o mundo não presta, não me refiro à criação de Deus, ainda que esta tenha se tornado inútil e na esperança daquele que a sujeitou esteja aguardando ser liberta da corrupção (Rm 8.20-21). Refiro-me ao pecado que abundou onde a graça não superabundou, a saber, naqueles que permanecem afastados de Deus por não terem sido crucificados com Cristo e portanto, permanecem mortos em seus próprios pecados.

Pois bem, a congregação tornou-se um lar de homens que não desejam cultuar a Deus, não desejam ter um compromisso com Ele e alimentam verdadeira ojeriza à vergonha da Cruz. Assim, os que deviam estar sendo alimentados na igreja, os que lavaram as vestes no Sangue do Cordeiro, são obrigados a compartilhar e a suportar a "lavagem" que os carnais tanto desejam comer, pois parece que a igreja é para estes e não para aqueles. Pastores se desdobram para manter no seio da congregação pessoas que nada querem com o evangelho senão os benefícios que ele "aparenta" proporcionar. E os que desejam buscar ao Senhor são os "retrogrados", "ultrapassados" e "reformados". Que pararam no tempo e espaço e não entenderam a "nova visão" que Deus deu à igreja.

O mais impressionante é que são os carnais que ditam as regras na igreja contemporânea. São os menos capacitados, os cegos e surdos, os que mais odeiam a verdade do evangelho. Esses são os que decidem o que deve ou não ser servido no cardápio de domingo.

Não penso em uma igreja tecnologicamente ultrapassada (ainda que não tenha nenhuma objeção às que assim são). Não estou dizendo que não se pode tocar guitarra na igreja, que não se pode fazer uso do teatro ou ainda que deviamos banir alguns benefícios da ciência de nossos cultos, como os projetores de vídeo ou microfones, por exemplo. Não sou um imbecil. Não desejo viver uma utopia. Refiro-me a Verdade. Refiro-me a Doutrina Cristã.

O cerne da questão é: Devemos comprometer o evangelho da Cruz em prol de alguns que não a desejam? Sejam eles milhares e milhares ou apenas meia dúzia?

O apóstolo Paulo escreveu que em nada ele se gloriava senão na cruz, pois ele fora crucificado para o mundo nela. A cruz havia sido o limiar de sua separação com o mundo (Gl 6.14). A nova "classe de crente" deseja não se separar do mundo, mas incorporá-lo a igreja, abandonou-se a pregação da cruz, abondonou-se os ensinos apostólicos da igreja primitiva e adotou-se os "ensinos" apostólicos(?) contemporâneos, onde Deus existe para servir ao homem e não o contrário. Onde a cruz é símbolo amigável, um pingente, uma tatuagem, um slogan... tudo, menos a minha morte para o mundo.

Estamos em guerra contra dominadores de um mundo tenebroso, e não me refiro aos diabinhos de Frank Peretti, refiro-me à secularização da igreja, ao pragmatismo, à pregação pós-moderna, ao marketing gospel e ao comprometimento com o homem. Verdadeiras potestades e principados que parecem anjos de luz.

O mundo não deseja ser amigo de Deus e Deus o tem como inimigo. Ele e todos os que desejam ser seus amigos.

Então... do lado de quem você vai ficar?