Mostrando postagens com marcador Teologia Liberal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Teologia Liberal. Mostrar todas as postagens

1.1.12

relevante para o mundo ou tão relevante como o mundo?

O que esperar da igreja brasileira neste próximo ano? Uma igreja com uma pregação relevante para o mundo, ou uma igreja tão relevante para os homens como o mundo?

Não faltam pregações, músicas e "profecias" anunciando um evangelho que seja relevante para uma sociedade depravada, perdida e em profundas trevas. Mas o que é ser relevante? O que a igreja tem feito e entendido como atuação importante e vital para o homem em nosso contexto?

Em 2011, enriqueci bastante minha videoteca pessoal de vídeos esquizofrênicos gravados no interior de algum templo pseudo-cristão, assisti a verdadeiras orgiais "espirituais" como: um batismo realizado num toboágua, luta de MMA na nave do templo, garotos jogando Playstation no lugar onde deveria estar o púlpito da igreja, um site com as evangélicas mais "gostosas" etc. Em última análise, é isso o que a igreja brasileira (pelo menos grande parte dela) tem considerado relevante para o homem.

Se há alguns anos atrás muitas igrejas tinham dificuldade em manter seus jovens dentro do templo, pregando uma vida asséptica que não condizia nem com a realidade local nem com a realidade bíblica, hoje, "manter" uma boa parcela de jovens utilizando as dependências do templo tornou-se relativamente e momentaneamente fácil... o custo é alto, mas parece ser eficaz... se o que você quiser for apenas mantê-los utilizando as dependências do templo por um tempo. Para manter pessoas mundanas dentro da igreja, basta adotar a agenda do mundo.

E meus irmãos... como prospera esse mercado!

O problema obviamente é o custo disso. Comparado ao estrago feito na vida de milhares de adolescentes e jovens que frequentam igrejas dirigidas por pastores comprometidos com a carne e não com o Espírito, é realmente barato o valor gasto com aluguel de ringues para lutas ou de parques aquáticos. É muito barato um DJ e a locação de um sítio para uma "rave gospel", se levarmos em conta que jovens e adolescentes sem formação e informação bíblica, mas profundamente mergulhados na cultura mundana inserida na igreja, após um pequeno e curto período de tempo dentro dos templos, são substituídos por outros iguais a eles, em um círculo infâme que se repete constantemente. Pois faltam olhos para uma liderança preocupada tão somente com o agora. Mentes tão dominadas pela cultura secular que vivem exatamente como o mundo, excetuando por uma Bíblia teen multicores nas mãos ou forma de uma bolsa cor-de-rosa (um tipo de Biblia-bag Barbie Teen).

Pastores culpam a TV por que meninas de 16 anos de sua igreja estão grávidas de rapazes, não "ímpios", mas batizados, pregadores e quem sabe até pertencentes a algum ministério de street dance da igreja. Líderes de jovens um tanto perplexos porque a influência dos colegas da escola levam seus discipulados as drogas... Ora, não percebem estes cães cegos que eles são os culpados? Não percebem que ao tornar a igreja tão irrelevante, parecida e palatável quanto o mundo pode ser, deixaram de ser o agente ativo para tornarem-se meros espectadores da revolução que o mundo tem proporcionado dentro da igreja?

Onde estarão os ministros de louvor a criticarem os valores demoníacos pregados pela Globo em suas novelas quando todos eles assinaram contratos com a mesma? O que pregarão os pastores, outrora defensores de uma vida de santificação, quando suas igrejas são pátios do inferno e suas ovelhas sentem verdadeira repulsa a termos como doutrina, santidade e pureza? Onde estarão aqueles que pregavam uma vida de assepsia impossível e hoje estão entregues a toda sorte de imundícia oferecida pelo mundo?

Estes esperam mais um ano de prosperidade, de crescimento, de lama e podridão até que nem mesmo dor sintam em seus ossos... minha espectativa e esperança para 2012 é bem acanhada, um tanto utópica reconheço... Eu realmente espero que as trevas avancem "percentualmente" menos que em 2011. Eu realmente oro para que alguns cegos tornem a ver e uns surdos tornem a ouvir, e se necessário, que muitos mercenários pereçam antes de promover destruição em outras vidas.

Maranata Jesus!

26.8.11

sepulturas

"Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos e de toda imundícia." (Mateus 23.27)


"Ai de vós! porque sois como as sepulturas que não aparecem, sobre as quais andam os homens sem o saberem." (Lucas 11.44)

_______________


Chama-me atenção essas duas lamentações de Jesus Cristo. Elas são parecidas mas não iguais. Confesso que por muito tempo elas pareciam-me ser a mesma coisa. Estudando um pouco vi que existe diferença entre elas. Apesar de se referirem ao mesmo tipo de cristão hipócrita, apresenta dois tipos distintos na aparência de falsos pregadores, falsos cristãos e falsos profetas.

Na passagem do Evangelho do Apóstolo Mateus, Jesus lamenta o fim daqueles que parecem ser mais do que realmente são. Vejo Cristo lamentando pelos pseudo-apóstolos e seus ternos cheio de brilho e perfume forte para que não passem despercebidos no meio da multidão. Vejo Cristo lamentando pelo fim dos falsos profetas e suas revelações que não transformam, mas aprisionam ainda mais o homem... homens que contornam o mundo para fazer um prosélito, para depois o tornar duas vezes mais filho das trevas, pois não ensinam a Palavra, mas suas doutrinas espúrias e uma religiosidade demoníaca.

Eles são sepulcros caiados. Pintados de branco e adornados com flores de plástico e vasos de porcelana falsificada... todo mundo que passa vê e consegue claramente identificar: Trata-se de uma sepultura. Ou admira sua beleza, ou sente repulsa por se tratar de um depósito de ossos, vermes e baratas. Quem toca nesse tipo de sepulcro, deliberadamente o faz. Contamina-se pois compactua com essa "beleza" mórbida e decadente. Quem rejeita e se afasta, é porque percebe que só o tocar já o contamina. Deseja distância do pecado e o que aquilo representa.

Quando leio a passagem do Evangelho de Lucas, vejo um outro tipo de hipócrita. Um outro tipo de religioso temente ao homem e não a Deus. Escravo do pecado e não da Justiça. Temente a própria consciência, perturbado com suas dúvidas e refém de sua carnalidade. Adepto de um teísmo que põe o homem no centro mas que precisa esconder-se atrás de uma fina cortina de falsa piedade. Com aparência de temor a Deus, não passa de demência humana. Julga tudo no natural e busca em seu próprio coração a resposta para suas dúvidas sobre os mistérios do Senhor. Julga Deus como um soberano limitado, um poeta incompreendido, um filosófo em busca do seu eu.

Quem passa não percebe que é uma sepultura... muitos desavisados, menos experientes ou com um olhar menos apurado, não percebem a fonte de podridão... passam por ela e se contaminam.

Não faltam sepulturas... aparentes ou escondidas no meio do evangelicalismo brasileiro.

Que Deus tenha misericórdia dos seus... Maranata Jesus!

4.2.11

incompatibilidade


Não é a primeira vez que escrevo sobre ecumenismo. Por isso quero deixar bem claro já no início do discurso. Não vou me referir ao movimento ecumênico, que tem origem no próprio protestantismo. Vou utilizar o termo ecumenismo num sentido bastante amplo. União de religiosidades ou instituições religiosas de "fés" opostas.

Não muito tempo atrás, seguindo a cartilha do mercado de consumo, uma pastora e um padre estiveram no programa de maior audiência da moralmente decadente tv brasileira. enquanto promoviam seus "ministérios" e CDs, assisti um (que vou considerar em respeito a pastora) grande ato falho de um cristão em rede nacional. Se fora da grande mídia, cristãos são apedrejados, mutilados e queimados vivos por não negarem ao evangelho. Em cadeia nacional, no canal mais visto pelos brasileiros, uma pastora (a quem considero minha irmã em Cristo), não fez distinção entre trevas e Luz. Pelo contrário, produziu um novo pensamento em uma teologia pseudo-cristã:

"Cada um anda na luz que tem"
... disse ela.

Preciso, antes de continuar, explicar minha posição a respeito da amizade entre cristãos e católicos, cristãos e muçulmanos, hindus, budistas ou qualquer outro que professe um evangelho diferente daquele pregado por Cristo e seus apóstolos.

Creio, de todo coração, ser possível existir amizade entre pessoas que pensam, agem e fazem construções de mundo antagônicas. Primeiro, independente do credo, TODOS pecaram e destituídos estão da Glória de Deus. Segundo, não importa se é em Jerusalém, em Samaria ou em Nínive, homens e mulheres aguardam as boas novas do Evangelho. Terceiro, não existe mais distinção entre senhor, escravo, livre, grego ou bárbaro... Cristo é tudo em todos.

Deste modo, cristãos não são a melhor classe de pessoas sobre a face da terra... pelo contrário, se cremos nas palavras de Cristo, e certamente cremos: "De todos sereis odiados por causa do meu nome." (Lucas 21.17)

Logo, a questão não é obviamente o padre. Pois ele, dentro dos conceitos do homem de bondade, misericórdia e amor, é muito estimado. A questão é quem ele representa e o que ele prega.

Sei que a referida pastora não acredita existirem várias "luzes", mas sim, que há apenas uma Luz. O resto, são trevas. Não existem "muitas" luzes, como não há outros deuses. Existe um único Deus... uma única luz.

O cristianismo contemporâneo tem se perdido nas ideologias e no pensamento pós-moderno. Como resultado da intolerância do século XX, como dos fascismos europeus, do socialismo e dos regimes militares de direita, a misericórdia de Jesus demonstrada pela adúltera (João 8) passou a ser vista como tolerância. O amor demonstrado por Cristo ali, agora é visto como aceitação.

Ora, foi uma simples aplicação do "misericórdia quero, não holocaustos" (Mateus 12.7). Mas em nenhum momento ele demonstrou tolerância ao pecado daquela mulher. Ou não teria dito: "não peques mais". Sim, ele considerou ser um pecado o adultério, não, ele não a condenou, ele a absolveu... e não, ele não foi tolerante com o pecado... a este, ele condenou... "não peques mais".  E não, ele não aceitou que ela permanecesse naquele estado... mas ele radicalmente a transformou... pois ela estava morta, e lhe foi dada a vida.

Não devemos ser tolerantes com os erros. Não devemos deixar de admoestar. E por fim, não devemos colocar o homem no lugar de Deus. Antes de pecar contra Aquele que tem o poder sobre nossas almas, deveríamos considerar nos opor aos que só podem tocar nossa carne. Pois não serão estes últimos a nos julgar, mas o Primeiro.

Portanto, um púlpito consagrado a Deus não pode ser dividido com alguém que serve a outro deus... ou que evoca mortos por intermédio de estátuas mudas. Um ministério forte não é aquele que arrebanha milhares e milhares em torno de sua cidadela, mas aquele que mantem-se integro até a volta de nosso Senhor.

Ainda que criados pelo mesmo Deus... somos absolutamente incompatíveis nas coisas espirituais.

"Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade;" (Isaías 5.20)


Soli Deo Gloria

19.1.11

a porta é estreita... e o caminho é apertado

"porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida,
e são poucos os que a encontram."     Mateus 7.14

Existe uma porta estreita. Não há um único cristão que negue isso. Qualquer um, por mais "perdido" que esteja, conhecendo a doutrina (ainda que não creia em doutrina) tem essa informação... ainda que não entenda o que isso quer dizer... ele sabe... para entrar, precisa passar pela porta... e ela é estreita.

Mas e o caminho que conduz até essa porta?

Aparentemente, parece que Jesus está contrariando a própria Palavra, pois afinal, não disse o salmista e rei Davi: "o caminho de Deus é perfeito...", não apenas uma, mas duas vezes? (Sl 18.30, 2 Sm 22.31)

Ahã! sabia seu legalista... você já estava querendo aplicar doutrina puritana para cima de nós!

Não... isso não é necessário. Cada um recebe do Senhor justa medida.

Mas também, claramente, o mesmo rei e homem segundo o coração de Deus escreveu: "Deus é a minha fortaleza e a minha força e ele perfeitamente desembaraça o meu caminho." (2 Sm 22.33)

Jesus não está dizendo que o caminho é imperfeito. Ele está dizendo que o caminho é apertado. Mas conforme tudo aquilo que foi preparado por Deus desde os tempos que não se podem contar... é perfeito.

Acontece que como todas as coisas que homem tem dificuldade para se ajustar, o caminho preparado por Deus também parece imperfeito aos olhos do homem. Assim, o caminho de Deus perfeito - ao homem - é espaçoso, pavimentado e na descendente.

Acontece que aquilo que Deus considera perfeito, obviamente, não é o que consideramos nem mesmo bom. Nosso padrão de perfeição, tão defeituoso e cheio de preconceitos desde sua origem é mais facilmente assimilado, afinal, nós mesmos o idealizamos e construímos.

Assim, o caminho proposto por Cristo torna-se inadequado... mantemos a porta onde ela está, afinal, ela está no final do caminho, mas quanto ao caminho em si... não... eu não posso deixar toda essa vida passar privando-me de, uma vez ou outra, girar sobre o meu próprio eixo... e me parece, daqui de onde vejo, que nesse caminho mal dá para se mexer.

O caminho precisa ser suficientemente largo para que eu, durante minha vida de pecador, possa usufruir dos prazeres do pecado e dos benefícios da Graça... aí sim... esse caminho será perfeito. Aí sim eu serei livre.

Isso porque o entendimento de liberdade do homem não parte da perspectiva de Deus, mas da perspectiva do próprio homem.

Se realmente entendêssemos a assertiva do apóstolo Paulo: "onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade" (2 Co 3.17) compreenderíamos que a liberdade que gozamos como escravos da justiça, com acesso direto ao santíssimo pela destruíção do véu, não nos dá nenhum prazer em virar para esquerda ou direita... não nos importaríamos de caminhar no tão apertado caminho... pois nosso alimento, nossa vontade, nossa vida... seria fazer a Sua vontade.

Lamento primeiramente por mim... que acho tão difícil caminhar nesse caminho. Mas agradeço ao Senhor, por cada vez que ele me reconduz... procurando encontrar, no final deste tão lindo caminho, a igualmente bela e estreita porta.

3.10.10

a vida que eles querem levar

Eu quero levar uma vida moderninha...
Não sou muito do tipo que utilizaria uma música do "Ultraje a Rigor" para ilustrar um artigo neste blog. Mas quando eu era guri essa música tocava nas rádios e de certa forma sintetizava o pensamento "moderninho" (isso lá nos anos de 1980).

O que pensam os "crentes" que não seguem a Cristo, não seguem a Palavra, não seguem a doutrina mas apenas seus caídos, sórdidos e humanistas corações e mentes? Como é a vida que eles querem levar?

Um vida moderninha

Em absoluto não sou um puritano. Apesar de spurgeonista, se Spurgeon levantasse da cova e lêsse este texto me chamaria de herege (a começar por usar Ultraje a Rigor num texto de crítica cristã).

Não penso que devemos suprimir a tecnologia dos cultos nem algumas mudanças liturgicas, se estas não comprometam a Palavra.

Acontece que como todo homem não regenerado, e na igreja está cheio de gente não regenerada (Igreja é diferente de igreja, ok), dar uma mão é emprestar o braço.

Lembro quando nenhuma igreja pentecostal permitia o uso de calça por mulheres. Criticavam os reformados que permitiam que suas mulheres se "vestissem como homens". Passou-se umas duas décadas mais ou menos, desde que as primeiras congregações pentecas abriram precedente. A calça virou bermuda, a bermuda shortinho e o shortinho deu lugar novamente à saia... a mini saia. Elas não se vestem como homens, mas como prostitutas. Maquiagem então... o Bozo em seus melhores dias gastava menos batom.

Quanto aos homens então... hahaha... foi liberarem a TV, e só Deus sabe o que vêem na madrugada, o que certamente não é o programa Vitória em Cristo.

A igreja decidiu viver uma vida moderninha. As coisas do mundo foram adaptadas à igreja, para isso apenas acrescentou-se o adjetivo "Gospel". Funk gospel, lambada gospel, axé gospel, motel gospel, festa à fantasia gospel, nudismo gospel etc... acha que exagerei... procure no Google e vê se você não acha tudo que citei acima (literalmente tudo) e um pouco mais... muito mais.

Acontece que assim como o Roger da Ultraje se mordia de ciúme, esses crentes hoje se mordem por viverem uma vida devassa e afastada de Deus. Direcionam seu ódio contra aqueles que criticam suas vidas mundanas e julgam-se portadores de uma nova verdade, uma nova visão, um novo "mover"... besteira... são é bem conscientes do caminho de perdição que trilham.

Não precisamos querer viver uma vida moderninha. Precisamos viver um Evangelho verdadeiro... ainda que ele pareça muito old style. Pois não é o mundo nosso padrão. Mas a Palavra.

25.8.10

cortando o próprio galho


Não temos outro ponto de sustentação para nossa fé senão a Palavra de Deus. Escrita por profetas e apóstolos inspirados pelo Espírito Santo ela é o alicerce palpável e visível do que cremos. Uma única verdade manifesta na doutrina neotestamentária.

Quando o Senhor me levou a conhecer a doutrina da graça também ensinou-me a provar a palavra pregada:

Agrada ao homem caído? Então desagrada a Deus.

Isso não serve para qualquer um. Não é aceitável aos arminianos, aos pregadores da teologia relacional ou liberais. É compreensível apenas aqueles que foram convencidos pela doutrina da graça, o verdadeiro evangelho de nosso Senhor.

Veja. Não estou em hipótese alguma afirmando que a palavra quando pregada deve ser amarga ou preparada com tamanho desgosto que torne impossível ao homem natural ouvi-la. Também não afirmo que ela deve ser melada com doce mundano para que possa ser devorada por pessoas carnais. Estou dizendo que a Palavra verdadeira, uma lúcida exposição da doutrina, não importando a maneira que ela chegue ao ouvido da mente caída, sem interferência do Espírito Santo será sempre rejeitada pois essa é a natureza do homem.

A verdade implicita na pregação pós-moderna é de que para que o homem carnal aceite a palavra de Deus necessário é que ela seja parcial. Necessário é que seja comprometida, não com Deus, mas com o homem. O papel de Deus é de mero coadjuvante numa trama escrita por homens. Para escrever esta história algumas técnicas básicas para produção são empregadas.

1. PALAVRA DE DEUS COMO APOIO E NÃO FUNDAMENTO: a Palavra de Deus (Bíblia), o livro sagrado, torna-se uma coletânea de exemplos morais e experiências pessoais que servem como pano de fundo para novos enredos. Nesses novos enredos são produzidas histórias com algum "sentido" para o homem.

2. PREGAÇÃO COMPROMETIDA COM O HOMEM: as pregações tornam-se relevantes ao homem não naquilo que ele precisa, mas naquilo que ele quer. O homem precisa de Deus mas não deseja arrepender-se. Prega-se um Deus sem o arrependimento, um caminho fácil de se percorrer e um evangelho desfigurado. Enfim, procura-se agradar ao homem. Ele sai satisfeito, sem compromisso, não ofendido pelo evangelho e volta no próximo final de semana.

3. VERDADE RELATIVA: quando a Palavra de Deus é relativizada ela perde seu poder. Exposta parcialmente ela não tem poder de transformar o homem. Como subterfúgio cria-se uma vasta literatura de apoio que parece preencher as "lacunas" deixadas pela Palavra de Deus. Na verdade, são band-aids sobre um tórax aberto. A Palavra deixa de ser uma verdade para ser muitas verdades dependendo do ponto de vista do homem.

4. QUESTIONAMENTO E NEGAÇÃO DA VERDADE: costumo considerar esse erro como cortar o galho onde se está sentado. Semelhante a verdade parcial, é no entanto um passo adiante. Aqui não se encobre a doutrina para que ela não ofenda o homem, ela é sim deliberadamente expurgada para dar lugar a uma visão carnal da justiça e amor de Deus.

A Palavra que não confronta o homem lhe agrada. Ela entra em seu interior e não produz nada senão uma temporária sensação de satisfação. Ele se sente perdoado sem entender perdão. Sente-se amado quando na verdade teve apenas seu ego massageado. Iludido por uma sociedade que não lhe exige compromisso encontra nesse tipo de evangelho sua salvação. Ela não precisa ter uma aliança, ele não precisa dizer sim... ele apenas fica. Seu relacionamento é superficial. Ele nada tem a oferecer e não se importa de estar nessa situação. Sente-se bem. Isto basta.

Igrejas estão apinhadas de pessoas assim. Mentes carnais que encontraram na igreja um clube social. Elas não são confrontadas à mudança, a palavra que lhes chega aos ouvidos é insípida. Trata de assuntos tão triviais quanto qualquer programa de tv à cabo. São sempre os mesmos versículos distorcidos e tirados do seu contexto. São sempre as mesmas músicas antropocêntricas. São sempre os mesmos apelos para uma salvação temporária e para um perdão com prazo de validade.

Pregadores estão literalmente minando o único alicerce do Evangelho. Ao tornar a Palavra de Deus um livro que apenas pode ser "traduzido" por homens habéis em inventar histórias destróem a própria fé. Cortam o galho onde estão sentados.

12.8.10

uns cogitam coisas da carne... outros coisas do Espírito

Li, ontem eu acho, um texto do Leonardo Galdino, publicado nos blogs Bereianos e Púlpito Cristão, além do próprio blog do autor, claro. Quanto ao artigo, nada a acrescentar. É excelente. Quanto aos comentários que li do artigo nos três blogs que supracitei. É lamentável. Sim... lamentável...

O veneno do pós-modernismo corre nas veias dos "novos evangélicos". Uma frenética busca em transformar a Palavra de Deus em algo tão instável quanto a própria mente humana caída, para que assim, ela possa ser mais bem digerida pelo homem.

Engraçado (ou tragicômico) foi ver um comentário em que alguém defendia a neo-teologia do pr. Gondim usando um texto de Charles H. Spurgeon... faz-me rir... Spurgeon colocaria essa teologia receosa de "ofender" a criatura e firmada em areia movediça ao lado daqueles com quem lutou no final da sua vida na Controvérsia do Declínio. O príncipe dos pregadores não aceitou a pregação moderna... não aceitaria o seu filhote: a teologia liberal.

Outro afirmou que Jesus não era adepto da "teologia da certeza". Mas de que Jesus esse camarada tá falando? Usou o fato de Jesus responder aos questionamentos com outra pergunta. Jesus não perguntava por que tinha dúvidas, perguntava porque tinha certeza. Perguntava porque estava ensinando. Atribuir ao Cristo, Filho de Deus, incertezas, é no mínimo... HERESIA. Se bem que esse termo caiu em desuso, como também palavras como MUNDANISMO e DOUTRINA... é claro.

Outro tipo de comentário que vi foi o "questionamento" de Lutero e Calvino feito a igreja romana. O artigo escrito pelo irmão Leonardo não trata de "questionar" a instituição igreja, trata de questionar a Palavra. Não um questionamento com o intuito de aprendizado, mas o questionamento que põe em chave a própria fé. Tolamente, os que tornam "parcial" ou "relativa" a Palavra, cortam o galho da fé onde estão sentados.

Leitores e admiradores de livros como A Cabana, deleitam-se mais lendo Foucault e Nietzsche que as cartas de Paulo. Porque parece a seus olhos, que aquelas dão mais certezas por se afirmarem como incertezas que essas que se apresentam como verdade irrefutável. O Evangelho não é firmado em areia, mas em rocha. O questionamento deve sempre existir, somos criaturas pensantes, racionais. Mas a verdade é uma só. Não é a Palavra que se adapta ao meu pensamento... minha mente é que deve ser transformada pela Palavra.

Terminarei da mesma forma que o Leonardo concluiu seu texto.

"Vou ficar mesmo com a fé do cristianismo histórico". Pois já experimentei dessa outra água... e ela fede.